quinta-feira, julho 18, 2013

VILA DO ROSMANINHAL - IDANHA-A-NOVA

Vila do Rosmaninhal - ESTUDO DO PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO Este assunto encontra-se melhor descrito no trabalho “Carta Arqueológica do Tejo Internacional “João Caninas, Francisco Henrique e Mário Chambino". Apenas nos anos 70 e princípios dos anos 90 do século passado se registaram estudos do património arqueológico do território do Rosmaninhal, dotados de alguma continuidade e relevância, GEPA Grupo de Estudos e Pesquisas Arqueológicas do Rosmaninhal e GEPP Grupo para o Estudo do Paleolítico Português), anos 80 (NRIA Núcleo Regional de Investigação Arqueológica e Raquel Vilaça) embora possamos remontar ao início do século XX as primeiras referências ao património arqueológico desta região através dos trabalhos deTavares Proença Júnior. Em relação ao território do Rosmaninhal, Proença Júnior (1910), na sua “Archeologia do Districto de Castelo Branco”, assinala 3 antas (Tapada da Ordem ?), 1 estação Romana e 3 machados de pedra. Ainda nesta freguesia indica a existência de 1 túmulo (mamoa) e o achado de 4 machados de pedra junto à povoação dos Alares. São conhecidas referências às potencialidades auríferas das areias dos rios que delimitam a região e ainda às “galerias e poços para decantação” existentes nos sítios do Cabeço Mouro, Couto, Minas, Santa Marina, Algarve, Fonte Santa e Cubeira (Samuel Schwars). Encontra-se estudada em várias obras da especialidade a ara oriunda da Tapada da Ordem exposta desde 1929 em Castelo Branco no Museu Francisco Tavares, dedicada a Arantio Tanginiciaeco (Encarnação 1975, Garcia 1984). Entre 1977 e 1979 o GEPA através de alguns dos seus elementos (Mário, Acácio, Torres e Victor Camisão) levou avante um excelente trabalho de inventariação. Em termos públicos restam deste trabalho algumas pequenas notícias publicadas em jornais regionais (Chambino 1977 e GEPA 1979). Algum espólio foi também recolhido durante aquelas campanhas. Este património encontra-se hoje igualmente disperso. É pois urgente reunir, tratar e estudar este diversificado espólio de artefactos e monumentos móveis como por exemplo a inscrição votiva dedicada aos Deuses Manes, descoberta pelos elementos do GEPA e gentilmente cedida pela proprietária do terreno onde se encontrava, Sra. D. Estela. Neste trabalho não vamos pois fazer um estudo exaustivo de todo o património arqueológico conhecido do Rosmaninhal mas sim apenas deixar um registo localizado de todos os locais conhecidos. Isto porque esse trabalho já está feito e publicado na Carta Arqueológica do Tejo Internacional elaborada pela Associação de Estudos do Alto Tejo da qual nos socorremos para a realização destes registos. Além do muito material solto recolhido, desde machados de pedra polida, mós manuais, cerâmica, etc. existe também na posse da Associação de Estudos do Alto Tejo um grande e belíssimo espólio recolhido em escavações realizadas em algumas Antas da região. Este material encontra-se na maioria publicado pela Associação e dele não vamos falar. PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO São muitos os dados arqueológicos conhecidos por toda esta zona raiana. Através deles somos transportados para muitos anos atrás. Desde há muitos séculos que toda esta zona, a par de toda a península, é revoltada por gente que confrontadas com outras civilizações foram adquirindo etnia própria. Ao longo do grande período da evolução humana esta área foi palco pisado por muitas gentes. Desde os naturais, passando por Povos Bárbaros vindos do Norte da Península e do resto da Europa, pelos Romanos responsáveis pela maior parte da nossa cultura, pelos Visigodos que se instalaram e desenvolveram grande actividade nesta zona Raiana e pelos Árabes que durante tantos anos adiaram a formação da nossa Nacionalidade. Todos estes povos e civilizações contribuíram para a formação do povo que somos. A zona da freguesia do Rosmaninhal é privilegiada de caça, pesca, terrenos planos com boas pastagens, contém portanto bons factores para a sedentarização. A freguesia está situada entre três rios (Tejo, Erges e Aravil). É uma zona de terrenos levemente ondulados apenas recortados, como já escrevemos anteriormente, na fase terminal dos ribeiros, Erges e Aravil e na margem do rio Tejo. Apresenta algumas elevações com cotas que variam entre os 350 e os 410 Mts. Locais estes onde aparecem vestígios de habitat humanos que remontam ao Neolítico. ÉPOCA PRÉ-HISTÓRICA Os Dólmens são monumentos funerários que serviam para enterramentos individuais ou colectivos, seguindo todo um ritual de enterramento. Muitas vezes junto dos restos dos indivíduos ali depositados encontram-se todo um conjunto de bens que ajudaria, segundo a crença, a suportar melhor a vida que iriam encontrar depois da morte. Os materiais encontrados são normalmente restos de utensílios de cerâmica, pontas de setas e lâminas em sílex e machados de pedra polida. Os materiais empregados na construção dos dólmens são, na sua maioria, grandes lajes de xisto e de grauvaque e um ou outro bloco de quartzo. Empregando-se, na sua cobertura (mamoa), terra e grande quantidade de quartzo leitoso. Quanto à forma, aparecem pequenos dólmens de planta poligonal com e sem corredor, como é o caso dos dois monumentos da Nave de Azinha. São conhecidos ainda dois Dólmens de maiores dimensões, na Tapada da Ordem. A maior parte encontram-se violados mas conservam a mamoa. Todos os dólmens conhecidos na área do Rosmaninhal não apresentam qualquer forma de tampa. Os construtores destes monumentos habitaram alguns locais onde foram encontrados vários vestígios e artefactos diversos (em especial pequenos moinhos manuais e alguma cerâmica. Estes sítios poderiam ter servido como forma temporária de habitat, como é o caso do Couto da Espanhola, Tapada da Ordem e junto do marco geodésico Capitão na crista da Serra do Rosmaninhal. Deste mesmo período é também conhecido, no Couto da Espanhola, um cromeleque. Nesta mesma área e certamente fazendo parte deste mesmo espaço mágico-sagrado aparecem grande quantidade de covinhas (fossetes) em blocos soltos ou em afloramentos ao ar livre (blocos xisto-grauváquicos). A gravação é quase sempre feita na parte plana horizontal. Estes painéis, estão gravados exclusivamente com covinhas de vários diâmetros. Aparecem na região vários esteios de monumentos megalíticos decorados com covinhas. Este tipo de manifestação humana é ainda muito enigmático. Na freguesia do Rosmaninhal aparecem no Cabeço Mouro, Santa Marina, Santa Madalena, Couto da Espanhola e Cabeço Alto. No entanto aparecem painéis idênticos em Malpica, Monforte, Fratel, Vilas Ruivas, Monsanto, Lardosa, Etc. Outro elemento é o facto de muitos destes painéis aparecerem junto de actuais templos religiosos. Na área dos Alares e junto de uma anta existem gravações em afloramentos de grauvaque. Na zona do Cabeço Mouro aparecem vários blocos, que na actualidade servem de marcos de divisória de propriedades, que provavelmente constituiriam esteios de uma anta que foi destruída ou fariam parte de algum hipotético cromeleque. Estes monólitos apresentam várias gravações. São vulgarmente encontrados utensílios de pedra polida (machados e enxós) por toda a região ao que os naturais chamam de pedras de raio ou pestes por pensarem cair com os raios das trovoadas. Na área do Couto da Espanhola, fazendo parte integrante do cromeleque, existe ainda um pequeno menir e na área do Zebros foi ainda encontrado um fragmento de um outro com forma antropomófica e com decoração. ÉPOCA PROTO-HISTÓRICA É sempre difícil datar ou classificar tacitamente vestígios arqueológicos, no entanto alguns vestígios quer pela sua associação a outros conhecidos quer pela localização no terreno quer ainda pelas formas apresentadas poderão de forma mais ou menos exacta atribuir-se-lhe uma determinada cronologia e tipologia. Existem dois povoados, um situado nos contrafortes da Zebreira e de Segura junto à ribeira da Enchacana chamado Cabeço do Mouro e outro junto ao rio Tejo no local denominado Grelheira (Nave da Azinha) que pela sua localização no terreno (locais de difícil acesso e resguardado com troços amuralhados) e pelos artefactos ai encontrados (cerâmica e moinhos manuais - dormentes e moventes) se desenvolveram em épocas proto-históricas. http://rosmaninhal.no.sapo.pt/ARQUEOLOGIA.htm#%C3%89POCA_PR%C3%89-HIST%C3%93RICA

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