Terraços do rio Tejo em Portugal, sua importância na interpretação da evolução da paisagem e da ocupação humana
Artigo de
António A. Martins Pedro P. Cunha
Resumo:
As principais características das escadarias de terraço no Baixo Tejo e a relevância dos materiais arqueológicos associados são aqui sumariadas e discutidas. Considera-se que os mais importantes avanços no presente estado de
conhecimentos resultaram da caracterização geomorfológica e sedimentológica, bem como de sistemáticas datações por luminescência em feldspato potássico,uma vez que as elevadas doses de radiação nestes sedimentos geralmente impediram a obtenção de idades precisas, TL ou de OSL em quartzo, nos sedimento areno-lutíticos dos terraços. Num sítio arqueológico, a integração de geomorfologia, litostratigrafia, sedimentologia, datação absoluta e arqueologia é necessária para a obtenção de uma sólida geo-arqueologia que permita elaborar credíveis
reconstituições das paisagens do Plistocénico e uma pormenorizada caracterização das coevas ocupações humanas
primitivas.
Palavras-chave: terraços, geomorfologia, litostratigrafia, datação OSL, arqueologia, Paleolítico, rio Tejo, Plistocénico.
Introdução
As escadarias de terraços fluviais registam alternâncias de períodos com escavamento, alargamento do vale e eventual agradação sedimentar;por isso, nas áreas continentais constituem importantes arquivos da evolução sedimentar, climática, tectónica e eustática. Acresce ainda que no seio dos depósitos dos terraços mais baixos (e mais recentes) têm sido encontrados abundantes registos da ocupação humana pré-histórica. A ocorrência de materiais arqueológicos em horizontes estratigráficos permite uma melhor datação do que os contextos de superfície.
A superfície de um terraço fluvial representa um momento da evolução do rio em que este atingiu equilíbrio dinâmico, apresentando um perfil regularizado e promovendo o alargamento do vale. Para que tal aconteça é necessária estabilidade do nível de base geral (nível do mar para os rios exorreicos), manutenção das condições climáticas e uma actividade tectónica moderada e constante soerguimento regional. Um terraço pode ser constituído por um patamar rochoso(strath)ou de acumulação; no segundo caso apresenta uma cobertura de aluviões. Um terraço de acumulação indica que a energia fluvial era inferior à necessária para o transporte da totalidade da carga de fundo e, portanto, o rio estaria em desequilíbrio no sentido da agradação. A manutenção das condições de equilíbrio dinâmico em drenagens exorreicas está na base da correlação dos terraços fluviais com os marinhos das áreas litorais.
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/15161/1/2009Martins&unha_ArquVTejo163-175.pdf
Sem comentários:
Enviar um comentário