Origens. Pré e Proto-história
(500 000 a.C. – 600 a.C.)
A História do território e da cidade de Lisboa está directamente ligada à sua situação geográfica, junto do estuário do rio Tejo.
O início do povoamento da região de Lisboa teve lugar durante o Paleolítico (c. 500 000 a.C. – c. 10 000 a.C.), em pleno curso do processo de hominização. Neste período, grandes alterações climáticas foram transformando a paisagem. Ciclos de transgressão marinha, em que a subida do nível das águas provocou a inundação dos vales, alternaram com outros de regressão, onde o recuo das águas produziu o encaixe dos vales fluviais alimentados por inúmeras pequenas ribeiras de água doce.
Nas encostas e terraços elevados destes vales viriam a surgir os principais focos de ocupação humana, atingindo o auge no decurso do Acheulense Superior / Mustierense (c. 200 000 a.C. – c. 30 000 a.C.). São deste período os acampamentos de cariz temporário do Vale da Ribeira de Alcântara, que testemunham o processamento de caça, bem como a recolha e debitagem de sílex, matéria-prima utilizada no fabrico de variados artefactos.
Bifaces como os que foram recolhidos em Campolide fazem parte de um conjunto extremamente importante de artefactos do Acheulense e estão entre os mais antigos até agora conhecidos, fazendo remontar a ocupação do território de Lisboa a um período entre os 300 000 e os 100 000 anos a.C.
A partir do Neolítico (c. 5 500 a.C. – c. 2 000 a.C.) a ocupação deste território passou a incidir particularmente na região do manto basáltico de Lisboa – Serra de Monsanto, como atestam os povoados de Montes Claros e Vila Pouca, mas expandiu-se também por outras áreas servidas de múltiplos recursos naturais, como é o caso da Encosta de Sant´Ana ao Martim Moniz.
Coexistindo com instrumentos de pedra talhada, como as pontas de seta, lâminas e raspadores, surgiram novos instrumentos de pedra polida, como os machados, as enxós e as goivas. A caça e a recolecção, praticadas a par da emergente agricultura e da pastorícia foram lentamente acentuando a intervenção e o domínio do homem no meio ambiente. As cerâmicas, dos pequenos recipientes aos vasos de grandes dimensões destinados ao armazenamento dos excedentes da produção, assim como a tecelagem e a cestaria, traduzem também uma sociedade em mudança.
A Neolitização teve também projecção num complexo fenómeno de cariz espiritual-religioso, materializado em estruturas monumentais diversificadas: o Megalitismo. Apesar de coexistirem diferentes manifestações destas práticas na região de Lisboa, entre as quais as conhecidas Antas, as grutas foram a solução mais utilizada como espaço sepulcral.
No decorrer do período Calcolítico (c. 3 000 a.C. – c. 1 000 a.C.) acentua-se a consciência do homem nas suas capacidades produtivas e transformadoras da natureza, conduzindo lentamente ao surgimento de sociedades estabilizadas baseadas na agricultura intensiva e à hierarquização dos povoados e das suas redes de comércio inter-regional. São testemunhos deste período, o domínio da metalurgia do cobre e a construção ou reforço de grandes povoados muralhados, de que o povoado de Montes Claros é um exemplo relevante.
Durante a Idade do Bronze (c. 1 000 a.C. – 800 a.C.) a matriz social desagrega-se e os grandes povoados fortificados dão lugar a comunidades fortemente hierarquizadas de poder centralizado. No Século XIII a.C., ocupação da Tapada da Ajuda ilustra bem esta nova forma de povoamento. A existência de terrenos férteis ao longo de uma encosta aberta, na proximidade do Tejo, permitiu a fixação de uma comunidade essencialmente agro-pastoril, atestada pela recolha de centenas de denticulados de sílex, elementos integrantes de foices.
Na Idade do Ferro, a região detinha uma importância à qual não seria alheia a sua excelente posição estratégica e a diversidade de recursos naturais. o povoado indígena de Olisipo, originado durante os séculos VIII - VII a.C., encontrava-se instalado no morro e encosta do Castelo, fortemente conectado com o tráfico marítimo e o mundo oriental, sobretudo fenício.
A exposição permanente do Museu da Cidade, evidencia artefactualmente os principais momentos evolutivos das sociedades humanas ao longo deste período. Estão patentes alguns dos mais antigos instrumentos líticos em sílex recolhidos em Lisboa (Chaminé de Campolide), a par de importantes conjuntos de utensilagem lítica e produções cerâmicas Neolíticas e Calcolíticas provenientes de povoados identificados na Serra de Monsanto (Vila Pouca e Montes Claros).
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