terça-feira, janeiro 27, 2009

A ARQUEOLOGIA DA GRUTA DO ALMONDA (TORRES NOVAS).

Actas das IV Jornadas Arqueológicas (Lisboa 1990), Associação dos Arqueólogos
Portugueses, Lisboa 1991.


RESULTADOS DAS ESCAVAÇÓES DE 1988-89.
João Zilhão
João Maurício
Pedro Souto
A Gruta do Almonda é uma estação arqueológica conhecida desde há cerca de 50 anos, data em que foi posta a descoberto a entrada pela qual se faz o acesso ao seu interior. Trata-se de uma surgência fóssil do Rio Almonda (embora em Invernos excepcionalmente pluviosos tenha já funcionado igualmente como saída de águas), cuja nascente actual se encontra cerca de cinco metros mais abaixo e é represada pela Fábrica de Papel da Renova, a cuja laboração fornece a água necessária. Pela referida entrada acede-se a uma extensa rede de galerias subterrâneas,
já reconhecidas numa extensão de cerca de 5 km (fig. I), mas era somente nas primeiras dezenas de metros que, até a realização das campanhas de escavação realizadas em 1988 e 1989, se conhecia a existência de vestígios arqueológicos (Paço et a/. 1947; Guilaine e Ferreira 1970).
Os trabalhos realizados nos Últimos dois anos tiveram a sua origem numa descoberta
realizada por elementos da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia: o achado nesta porção inicial da galeria de entrada de algumas peças solutrenses cujo contexto se tornava imprescindível estabelecer (Maurício 1988; Zilhão 1988). A realização dos trabalhos veio porém dar igualmente origem a aquisição de novos dados referentes as ocupações já documentadas pelas escavações de finais dos anos 30 (Neolítico antigo, Idade do Bronze e Idade do Ferro), e a descoberta de ocupações do Paleolítico Inferior e Médio em zonas da gruta cuja importância arqueológica era até então desconhecida. São estes resultados que ora se apresentam de forma resumida e preliminar.

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