domingo, dezembro 14, 2008

Pedaços de pré-história nas serras de Oleiros

A Associação de Estudos do Alto Tejo acaba de identificar estruturas funerárias pré-históricas na serra vermelha, em Oleiros. Reconquista visitou os trabalhos de arqueologia.

Os arqueólogos da Associação de Estudos do Alto Tejo acabam de descobrir e identificar estruturas funerárias que remontam à pré-história, na Serra Vermelha, junto à estrada que segue para Álvaro, em pleno Parque Eólico do Pinhal Interior Sul. Os trabalhos desenvolvidos pelos arqueólogos João Caninas, Mário Monteiro, Emanuel Carvalho (IGIESPAR) e João Gomes, deram continuidade aos primeiros estudos promovidos pela Generg, no âmbito dos Estudos de Impacte Ambiental. “Não havia referências tão antigas neste conjunto de serras - entre a Estrela e Penela. Pela primeira vez no concelho de Oleiros descobrem-se monumentos deste tipo”, explica João Caninas.

A sepultura pré-histórica descoberta, “consiste num espaço confinado, composto por lajes e esteios, no interior do qual se colocavam os restos humanos (sentados) e alguns materiais que acompanhariam o morto, como ferramentas, adornos ou pedaços de cerâmica. Em volta dessa sepultura era construída uma broa de terra e de pedras, que permitiu que passados cinco mil anos a estrutura ainda se mantivesse”, explicam os arqueólogos.

João Caninas lembra que a sepultura descoberta, com nove metros de diâmetro não é das maiores. “Há um outro monumento, com 20 metros de diâmetro, na Selada da Póvoa, mas também há outros mais pequenos”. A descoberta destas estruturas vem demonstrar que em todos eles houve soluções arquitectónicas diferentes, mas com um objectivo comum, o de criar uma estrutura de protecção para o morto e os seus haveres”.

Surpresa

nas descobertas

A equipa de arqueólogos que até ao passado domingo esteve naquela serra, mostrou-se entusiasmada com os monumentos encontrados. “Deu-nos muito prazer encontrar nesta área este tipo de vestígios. Na Lousã estão agora a parecer os primeiros vestígios de sepulturas pré-históricas. Mas a primeira vez que neste maciço central surgiram esses vestígios foi aqui em Oleiros, a mais de 900 metros de altitude”, referem. A escolha dos locais é justificada com o facto dos antigos caminhos passarem pelas cumeadas das serras. “Estas serras de xisto são onduladas, logo muito boas para caminhar. A percepção que temos é que as pessoas que construíram as sepulturas poderiam ter vivido neste vale, junto à Ribeira de Oleiros”.

Com este tipo de descobertas, diz João Caninas “demonstra-se que estes monumentos tanto aparecem nas serras e em grandes altitudes, como junto ao Tejo ou nas planícies de Ródão”. A investigação levada a cabo pela equipa da Associação revela ainda que o homem chegou às serras de Oleiros no neolítico. “Nas margens do Zêzere há gravuras paleolíticas. Ou seja o homem já por aqui anda muito tempo”, adiantam.

No entender dos arqueólogos, “este espaço tem monumentalidade para ser valorizado. Aquilo que vamos propor à Generg e à Câmara de Oleiros é que nesta área seja colocada uma gravilha para preservar os espaços mais baixos e uma sementeira que evite o aparecimento do mato. Depois seria importante colocar uma pequena cerca e um painel explicativo. Deste modo o espaço poderia ser colocado nos roteiros municipais. Penso que tanto a Generg como a autarquia estarão empenhados em valorizar estes espaços”.

A presença da Associação de Estudos de Alto Tejo surge numa lógica de investigação, à semelhança do que tem feito noutros concelhos, como Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova. “Este tipo de intervenção enquadra-se nos objectivos da Associação. Neste caso concreto a área em questão são os vestígios pré-históricos”. Para este estudo a Associação teve o suporte financeiro da Generg e o apoio logístico da Câmara de Oleiros e do Igiespar.


Por: João Carrega


http://www.reconquista.pt/index.asp?idedicao=157&idSeccao=1534&Action=seccao

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