O Neolítico antigo no Arrife da Serra d’Aire.
Um case-study da neolitização da Média e Alta Estremadura
ANTÓNIO FAUSTINO CARVALHO
RESUMO
Apresentam-se e discutem-se alguns
aspectos da neolitização da região do Arrife da
Serra d’Aire, assim como a sua pertinência para o
conjunto da Média e Alta Estremadura. Uma vez
que questões de ordem crono-estratigráfica foram
já abordadas (Zilhão e Carvalho, 1996), focam-se
principalmente: (1) as modalidades de
povoamento e subsistência, e (2) o processo de
emergência do Neolítico.
Nesse sentido, e após análise dos vários contextos
já intervencionados no Arrife, pôde concluir-se
provisoriamente o seguinte:
1. os contextos do Neolítico antigo localizam-se
sobre o Arrife, aproveitando as potencialidades
oferecidas por esta região de ecótono;
2. os dados faunísticos indicam a exploração de
recursos animais domésticos, a par da caça,
desde o mais antigo Neolítico (não se recolheram
até à data macro-restos vegetais);
3. os indicadores económico-funcionais
disponíveis indicam que os contextos neolíticos
testemunham estratégias de mobilidade
residencial, onde por vezes estão bem registadas
actividades específicas (caça, recolha e/ou
processamento de vegetais);
4. não há continuidade de povoamento na
passagem do Mesolítico para o Neolítico — ainda
que o Epipaleolítico esteja bem representado no
interior da região estremenha, os sítios
mesolíticos são raros e datam da etapa inicial
deste período (contemporânea do concheiro de
Moita do Sebastião, em Muge).
A confrontação dos resultados já obtidos no
Arrife da Serra d’Aire com a restante Média e
Alta Estremadura debate-se com a escassez de
dados comparativos, e sobretudo salienta as
deficiências dos nossos conhecimentos deste
domínio nas regiões em apreço.
Sem comentários:
Enviar um comentário