domingo, agosto 25, 2013

Neolitização e megalitismo: o recinto megalítico das Fontainhas (Mora, Alentejo Central)

Neolitização e megalitismo: o recinto megalítico das Fontainhas (Mora, Alentejo Central) MANUEl CAlAdO lEONOR ROChA PEdRO AlviM A escavação do recinto megalítico das Fontainhas (Mora), em 2005, veio confirmar, com dados novos, a atribuição cronológica do monumento ao Neolítico Antigo/Médio, com destaque para a presença de cerâmicas decoradas e micrólitos. Foram igualmente obtidos elementos pertinentes sobre alguns aspectos rituais, nomeadamente o uso das mós nas estruturas de implantação e as orientações astronómicas (solar e lunar) dos menires exteriores ao recinto. A prospecção da área envolvente reforçou, por sua vez, a informação proporcionada pelos artefactos recolhidos na escavação do recinto, tendo sendo identificada, como seria de esperar, uma rede de povoados que cobre toda a diacronia desde o Neolítico Antigo até ao Calcolítico. A principal surpresa, neste domínio, foi uma ocupação de cariz mesolítico, que os dados provenientes de áreas contíguas e o próprio contexto geográfico, nos limites da bacia sedimentar do Tejo, tornam menos surpreendente.

O Neolítico antigo no Arrife da Serra d’Aire. Um case-study da neolitização da Média e Alta Estremadura

O Neolítico antigo no Arrife da Serra d’Aire. Um case-study da neolitização da Média e Alta Estremadura ANTÓNIO FAUSTINO CARVALHO RESUMO Apresentam-se e discutem-se alguns aspectos da neolitização da região do Arrife da Serra d’Aire, assim como a sua pertinência para o conjunto da Média e Alta Estremadura. Uma vez que questões de ordem crono-estratigráfica foram já abordadas (Zilhão e Carvalho, 1996), focam-se principalmente: (1) as modalidades de povoamento e subsistência, e (2) o processo de emergência do Neolítico. Nesse sentido, e após análise dos vários contextos já intervencionados no Arrife, pôde concluir-se provisoriamente o seguinte: 1. os contextos do Neolítico antigo localizam-se sobre o Arrife, aproveitando as potencialidades oferecidas por esta região de ecótono; 2. os dados faunísticos indicam a exploração de recursos animais domésticos, a par da caça, desde o mais antigo Neolítico (não se recolheram até à data macro-restos vegetais); 3. os indicadores económico-funcionais disponíveis indicam que os contextos neolíticos testemunham estratégias de mobilidade residencial, onde por vezes estão bem registadas actividades específicas (caça, recolha e/ou processamento de vegetais); 4. não há continuidade de povoamento na passagem do Mesolítico para o Neolítico — ainda que o Epipaleolítico esteja bem representado no interior da região estremenha, os sítios mesolíticos são raros e datam da etapa inicial deste período (contemporânea do concheiro de Moita do Sebastião, em Muge). A confrontação dos resultados já obtidos no Arrife da Serra d’Aire com a restante Média e Alta Estremadura debate-se com a escassez de dados comparativos, e sobretudo salienta as deficiências dos nossos conhecimentos deste domínio nas regiões em apreço.