domingo, agosto 25, 2013

Neolitização e megalitismo: o recinto megalítico das Fontainhas (Mora, Alentejo Central)

Neolitização e megalitismo: o recinto megalítico das Fontainhas (Mora, Alentejo Central) MANUEl CAlAdO lEONOR ROChA PEdRO AlviM A escavação do recinto megalítico das Fontainhas (Mora), em 2005, veio confirmar, com dados novos, a atribuição cronológica do monumento ao Neolítico Antigo/Médio, com destaque para a presença de cerâmicas decoradas e micrólitos. Foram igualmente obtidos elementos pertinentes sobre alguns aspectos rituais, nomeadamente o uso das mós nas estruturas de implantação e as orientações astronómicas (solar e lunar) dos menires exteriores ao recinto. A prospecção da área envolvente reforçou, por sua vez, a informação proporcionada pelos artefactos recolhidos na escavação do recinto, tendo sendo identificada, como seria de esperar, uma rede de povoados que cobre toda a diacronia desde o Neolítico Antigo até ao Calcolítico. A principal surpresa, neste domínio, foi uma ocupação de cariz mesolítico, que os dados provenientes de áreas contíguas e o próprio contexto geográfico, nos limites da bacia sedimentar do Tejo, tornam menos surpreendente.

O Neolítico antigo no Arrife da Serra d’Aire. Um case-study da neolitização da Média e Alta Estremadura

O Neolítico antigo no Arrife da Serra d’Aire. Um case-study da neolitização da Média e Alta Estremadura ANTÓNIO FAUSTINO CARVALHO RESUMO Apresentam-se e discutem-se alguns aspectos da neolitização da região do Arrife da Serra d’Aire, assim como a sua pertinência para o conjunto da Média e Alta Estremadura. Uma vez que questões de ordem crono-estratigráfica foram já abordadas (Zilhão e Carvalho, 1996), focam-se principalmente: (1) as modalidades de povoamento e subsistência, e (2) o processo de emergência do Neolítico. Nesse sentido, e após análise dos vários contextos já intervencionados no Arrife, pôde concluir-se provisoriamente o seguinte: 1. os contextos do Neolítico antigo localizam-se sobre o Arrife, aproveitando as potencialidades oferecidas por esta região de ecótono; 2. os dados faunísticos indicam a exploração de recursos animais domésticos, a par da caça, desde o mais antigo Neolítico (não se recolheram até à data macro-restos vegetais); 3. os indicadores económico-funcionais disponíveis indicam que os contextos neolíticos testemunham estratégias de mobilidade residencial, onde por vezes estão bem registadas actividades específicas (caça, recolha e/ou processamento de vegetais); 4. não há continuidade de povoamento na passagem do Mesolítico para o Neolítico — ainda que o Epipaleolítico esteja bem representado no interior da região estremenha, os sítios mesolíticos são raros e datam da etapa inicial deste período (contemporânea do concheiro de Moita do Sebastião, em Muge). A confrontação dos resultados já obtidos no Arrife da Serra d’Aire com a restante Média e Alta Estremadura debate-se com a escassez de dados comparativos, e sobretudo salienta as deficiências dos nossos conhecimentos deste domínio nas regiões em apreço.

quinta-feira, julho 25, 2013

MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL E EVOLUÇÃO HUMANA

MUSEO DE LA EVOLUCIÓN HUMANA http://www.museoevolucionhumana.com/~museoevo/es/hola/pt/portada MUSEU VIRTUAL DA EVVOLUÇÃO https://sites.google.com/site/pensaraevolucao/museu-virtual-da-evolucao/evolucao-humana NATURAL HISTORY MUSEUM (LONDRES) http://www.nhm.ac.uk/index.html MUSÉUM NATIONAL D' HISTOIRE NATURELLE (PARIS) http://www.mnhn.fr/le-museum/ http://www.mnhn.fr/museum/foffice/transverse/transverse/accueil.xsp AMERICAN MUSEUM OF NATURAL HISTORY (NOVA IORQUE) http://www.amnh.org/exhibition http://www.amnh.org/exhibitions/ SMITHSONIAN MUSEUM OF NATURAL HISTORY http://humanorigins.si.edu/ MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL (LISBOA) http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1&_dad=portal&_schema=PORTAL MUSEU DA CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Museu&iArea=7 THE FITZWILLIAM MUSEUM http://www.darwinendlessforms.org/ NEANDERTHAL MUSEUM http://www.neanderthal.de/en/home/index.html

Ponte da Pedra | atalaia| estrutura arqueológica de combustão

Ponte da pedra | atalaia| estrutura arqueológica de combustão
o sítio da ribeira da ponte da pedra localiza-se na margem esquerda da ribeira da atalaia a poucos quilómetros da confluência desta com o rio tejo. durante a campanha de 2003 procurou-se esclarecer o mais possível as relações estratigráficas dos depósitos de provável origem coluvionar situados na metade da vertente, bem como a situação estratigráfica dos materiais incorporados no terraço q4a , bem como uma possível caracterização tecno-tipológica dos mesmos nestas circunstâncias foi identificada uma estrutura de combustão associada a artefactos líticos cujas características se enquadram nas indústrias do paleolítico médio. pela sua excepcional conservação tendo em conta o contexto sedimentar em que se insere, mas sobretudo pela quase inexistência de estruturas deste tipo em sítios de ar livre atribuídos ao paleolítico médio, desde logo se decidiu fazer uma réplica. esta réplica estará numa primeira fase exposta no museu do centro de interpretação de arqueologia do alto ribatejo em vila nova da barquinha. posteriormente vai fazer parte de um circuito promovido pela rede europeia de arqueologia cujo tema são os caçadores recolectores paleolíticos do sul da europa.

O Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo

O Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo Eduardo da Cunha Serrão, Francisco de Santos Lemos, Jorge Pinho Monteiro... e Susana de Oliveira Jorge e Vitor de Oliveira Jorge

História de Marvão

História de Marvão Entre os solos quase esqueléticos que bordejam o Rio Tejo e as grandes serranias de S. Mamede, o Concelho de Marvão, marcado a Norte pelos exuberantes afloramentos graníticos e pelo fértil vale da Aramenha que o delimita pelo Sul, sempre dependeu das águas do Rio Sever, que o separa das terras de Espanha pelo nascente e que justificaram os primeiros estabelecimentos humanos nesta região. Contrastando com as secas planuras do outro Alentejo, os estreitos vales da falda norte de Marvão oferecem solos leves e bem drenados amenizados por um micro clima que propiciou a fixação humana deste épocas muito recuadas. Na encosta sul, o vale é mais alargado e as terras de areia dão lugar a pesados solos argilosos que os romanos não esqueceram. Entre estes dois territórios naturais emergem na alta e lavada crista quartzítica os fortificados muros de Marvão. Mas as razões que levaram os homens, ao longo de vários séculos, a investirem naquele alcantilado monte teremos que as procurar nos vestígios arqueológicos que o rodeiam. Paleolítico As comunidades humanas mais antigas, durante o Paleolítico, procuravam os verdejantes vales drenados por cursos de água permanentes. No Concelho de Marvãoas margens do Rio Sever foram o cenário eleito. Sempre que este rio corre menos encaixado, sobretudo na zona Norte do Concelho, onde o Sever seespraia mais, ou se contorce em torno de algum acidente geológico, não é difícil encontrar testemunhos artefactuais das comunidades do Paleolítico Final. Nas cascalheiras da Mãe-Velha, nas praias do Batão e das Amoreiras, ou por entre os grandes afloramentos de Vidais, os instrumentos de pedra lascada testemunham como as comunidades de recolectores / caçadores procuravam as margens do Rio Sever para obterem o seu sustento. Neolítico/Calcolítico Quando a agricultura começava a dar os primeiros passos e o homem ensaiava a sedentarização, procurando abrigos com algumas defesas naturais, mas não muito longe dos ambientes que os seus antepassados elegeram e dos quais, parcialmente, ainda dependiam, as grandes formações graníticas do actual concelho de Marvão, não muito afastadas do sempre disponível Sever, serviram de habitat às comunidades do Neolítico e mesmo do Calcolítico. Os povoados dos Pombais, Batão, Retorta e sobretudo de Vidais são claros exemplos dessa ocupação. Mas é em Vidais, provavelmente porque é o mais estudado, que os testemunhos materiais indiciam uma longa e continuada ocupação. E é neste ambiente de comunidades que gradualmente trocaram uma economia de recolecção por uma de produção baseada na agricultura e na pastorícia que emergem as manifestações megalíticas. Em suaves encostas maioritariamente viradas ao Rio Sever, umas vezes disfarçadas por entre os grandes afloramentos graníticos, outras dominando os pequenos vales, fonte do sustento dos seus construtores, vinte e cinco dólmenes monumentalizaram, pela primeira vez as belas e enrugadas paisagens de Marvão. Contrastando com as muito mexidas, violadas, ou mesmo escavadas antas dos concelhos vizinhos, os monumentos megalíticos de características funerárias do concelho de Marvão, porque, intencionalmente esquecidos, configuram-se como uma das poucas reservas científicas de Portugal. Ainda que volumetricamente não se enquadrem entre as de maiores dimensões, as antas de Marvão são o reflexo de uma economia onde os excedentes não seriam muito abundantes, mas suficientes para possibilitarem aos seus construtores o tempo e a conjugação de esforços para a necropolização da paisagem. Algumas, sabiamente reaproveitadas, mas respeitadas ao longo dos milénios, chegaram até nós inseridas em estruturas agrícolas. Desses longínquos 3º e 4º milénios antes de Cristo conhecem-se, na área do concelho de Marvão, para além de vinte e cinco antas , três menires . Destes, dois conservam-se in situ, parte de um terceiro guarda-se no Museu Municipal. Os setenta centímetros do menir da Água da Cuba, provavelmente o de menores dimensões conhecido isoladamente, contrasta com o dos Pombais, talhado directamente num afloramento natural, cuja altura ultrapassa os três metros. Quando as influências orientalizantes se começam a fazer sentir mais e a metalurgia desponta nesta zona do Alentejo, as comunidades que até aí se estabeleciam em habitats de pouca altitude procuram agora cotas mais altas e naturalmente protegidas e o Concelho de Marvão não foge a esta regra. Os habitats sobranceiros ao Rio Sever são abandonados e os cumes dos cerros começam a ser fortificados. Desde os finais do Calcolítico até à chegada dos Romanos, pontos estratégicos das principais linhas de cumeada passam a ser espaços de vivência humana. O Castelo de Vidago, o do Corregedor e o da Crença testemunham essas épocas conturbadas que se viveram nas imediações de Marvão. Uma, ou mais linhas de muralhas, envolvem estes habitats. Casas quadrangulares, ou redondas, outrora provavelmente cobertas por giestas anexam-se umas às outras aproveitando da melhor forma o pouco espaço que as muralhas protegiam. A crista quartzítica que sustenta Marvão parece inserir-se neste tipo de estratégia que, sobretudo, as comunidades da segunda Idade do Ferro adoptaram, tanto na área do concelho de Marvão como em toda a Serra de S. Mamede. Romanos Com a chegada dos Romanos, outra página começa ser escrita nas terras de Marvão. As comunidades que sobreviviam nos alcantilados montes descem de novo aos vales. Mais pela força das armas do que por vontade própria, como os vestigios arqueológicos bem o demonstram no Castelo de Vidago, os habitats fortificados da Idade do Ferro sucumbem e as terras com melhor aptidão agrícola começam a ser intensamente exploradas. Várias villae e casais agrícolas redesenham a paisagem de Marvão. Porto da Espada, Pombais, Pereiro, Amoreiras, Escusa, Garreancho, entre outras de menor dimensão, são locais ocupados por explorações agrícolas romanas. Faustosas casas revestidas por mosaicos, amplos armazéns, moinhos e termas assinalam a riqueza que os romanos souberam retirar dos solos agora por eles ocupados. No Vale da Aramenha, em terras pesadas e férteis e onde a água abunda, pelos inícios do século I, os Romanos instalam uma nova cidade. Ammaia se chamava. Mais do que um grande centro cosmopolita, reconhece-se hoje que Ammaia terá sido uma cidade de lazer, satélite da grande Mérida. Aqui, construíram os emeritenses as suas casas de veraneio. Para aqui acorreriam os romanos endinheirados nos implacáveis estios em busca de sombra e água, que a grande cidade do interior não propiciava. Aqui, na Ammaia, bordejada pelo rio Sever e abastecida por, pelo menos três nascentes que os romanos souberam conduzir até ao centro da cidade, assistiam a espectáculos teatrais tendo como cenário o brutal acidente que sustenta hoje Marvão. Os influentes e poderosos togados que veraneavam em Ammaia rapidamente a transformam política e arquitectonicamente. Pouco tempo depois da sua fundação, ao tempo de Cláudio recebe a categoria de Civitas, alguns anos depois, já com Nero senhor de Roma, ascende a Municipium. Paralelamente e por força do seu prestígio e categoria, a Ammaia, recentemente fundada, assiste à sua reorganização e embelezamento. Largas praças, faustosas portas, mais simbólicas que funcionais, um amplo forum ao centro do qual se eleva um templo ao culto imperial corporizam a influência e poder dos seus habitantes. Sem preocupações defensivas, porque a paz romana existia, sucumbe com a desorganização do império e a chegada dos bárbaros. Entre o século V e o IX, já em decadência, um cataclismo, provavelmente o galgamento de uma barragem que reforçaria o abastecimento de água à cidade, cobre sobretudo a parte baixa de Ammaia com um mar de lama e pedras arrastadas pela força das águas incontroláveis. Apenas os muros mais altos e resistentes sobressaem do inesperado e rápido aterramento da cidade. Com a decadência da estrutura política romana, assiste-se, pelo menos na área do concelho de Marvão a um enxameamento de pequenos núcleos habitacionais implantados em zonas bem disfarçadas na paisagem. A instabilidade que se vive desde o século V até, praticamente, à época da Reconquista Cristã terá contribuído para essa nova reorganização na ocupação do território do actual concelho de Marvão. Mais de uma vintena de pequenos núcleos, alguns rasgados por arruamentos, atribuíveis à Alta-Idade-Média, espalham-se, sobretudo por entre os grandes afloramentos graníticos que marcam a paisagem das encostas viradas a Norte da Serra de Marvão. Mas a grande formação quartzítica que sustenta Marvão parece não ter estado alheia a todos estes e outros episódios. Embora, até hoje, e por várias razões nenhuma investigação arqueológica se tivesse desenvolvido no espaço urbano de Marvão, sobretudo pela previsível fraca potência de solos na zona interna do castelo e pelas profundas remodelações efectuadas nos anos quarenta deste século, existem, contudo, pequenos recantos, especialmente na área do último reduto defensivo que poderão, depois de ultrapassados os estratos de entulhos, fornecer elementos que ajudem a clarificar as fases mais recuadas de ocupação humana do cerro de Marvão. Parece ser a área envolvente da cisterna pequena aquela que, tanto pela documentação escrita, como pela lógica de ocupação humana da Serra de São Mamede, a que terá sido inicialmente humanizada. Reconhece-se hoje como seguro que a mais antiga referência escrita relacionada com Marvão é a crónica de Isa Ibn Áhmad ar-Rázi, datável do século X, onde se lê: … o Monte de Amaia, conhecido hoje por Amaia de Ibn Maruán é um monte alto e inexpugnável, a leste da cidade de Amaia-das-Ruínas, situada sobre o Rio Sever. Como nos diz o seu autor, nesse mesmo texto, provavelmente baseado em crónicas dos finais do século IX sobre as actividades bélicas de Ibn Maruán, existiria uma Fortaleza de Ammaia-o-Monte. Esta fortaleza de que fala a referida crónica poderia ser conotada com a torre árabe que se levanta sobre um dos torreões defensivos da porta Nascente da cidade de Ammaia. Contudo, nem as ruínas de Ammaia estão implantadas num monte, nem esta torre ofereceria a capacidade defensiva que Ibn Maruán procurava. O ambiente de conflitualidade gerado pelas manifestações autonómicas do muladi Ibn Maruán, obrigá-lo-iam a procurar refúgios com capacidades defensivas que o vale da Ammaia não oferece. Parece, assim claro, que o monte sobranceiro ao Sever, nas imediações da Amaia-das-Ruínas, é o que hoje sustenta a Vila de Marvão e que recebeu o nome daquele que aí mandou construir uma fortaleza nos finais do século IX. Pelo menos nessa data, e baseados, unicamente, na documentação escrita, poder-se-á afirmar que no cerro de Marvão foram levantadas estruturas defensivas. Contudo, se atendermos à estratégia de ocupação humana na Serra de S. Mamede, verificamos que os cerros mais notáveis envolventes do maciço central e com largo domínio visual sobre os patamares envolventes, entre os quais se inscreve a actual vila de Marvão, todos possuem vestígios de ocupação atribuíveis à Idade do Ferro. Proto-História Embora, não tenha ainda sido detectado qualquer testemunho arqueológico no cerro de Marvão relacionado com a Proto-História, não excluímos a hipótese de no local de cota mais elevada se ter erguido, em época anterior à fortificação de Ibn Maruán, algum habitat pré-romano, que terá sobrevivido até à romanização. Ainda que durante o domínio romano os vales férteis da Serra de S. Mamede fossem preferencialmente procurados e nos solos argilosos de Aramenha se tivesse fundado a Cidade de Ammaia, sem grandes preocupações defensivas, em períodos de maior instabilidade, as guarnições romanas procurariam, pelo menos, criar alguns pontos de atalaia para protecção da sua civitas. O cerro de Marvão configurava-se, nestas condições, no local ideal para implantação de alguma estrutura militar. Se nenhuma estrutura de tradição defensiva pré-existisse, ao tempo de Ibn Maruán, no cerro onde veio a levantar a sua fortaleza, dificilmente se explicaria a opção por este lugar, considerando que nas imediações existem outras elevações que lhe garantiriam semelhantes defesas naturais e ao mesmo tempo a água necessária à sobrevivência em caso de cerco. A resolução do problema de falta de água no inóspito afloramento quartzítico poderá ter sido solucionado pela gentes de Ibn Maruán com a construção de alguma cisterna, que recolhesse e conservasse a água da chuva. A pequena cisterna situada no interior do principal reduto defensivo de Marvão, junto à actual torre de menagem, poderá remontar as suas origens ao século IX, embora apresente claros sinais de trabalhos de reconfiguração na Idade Média. Passados os períodos de maior instabilidade, marcados pela desagregação do império romano e da chegada dos bárbaros, com o domínio islâmico a paisagem humana do concelho de Marvão assiste a outra viragem. Gradualmente, os pequenos núcleos urbanos que se constituíram com a desorganização da estrutura romana começam a ser abandonados e as gentes afluem à nova fortificação fundada por Ibn Maruán. Com a conquista e refortificação de Marvão, pelos cavaleiros da cristandade, assiste-se, então ao completo abandono desses habitats da Alta-Idade-Média, embora, alguns, como sejam os casos de Ranginha e Barretos, se mantivessem continuamente ocupados. Marvão terá chamado a si, nessa altura, as gentes que, de forma algo dispersa ocupavam os pequenos vales desde a decadência do Império Romano, constituindo-se, assim, como um dos espaços fortificados mais importantes a Sul do Tejo durante a Primeira Dinastia.

Povoado do Bronze Final da Tapada da Ajuda

Povoado do Bronze Final da Tapada da Ajuda JOÃO LUÍS CARDOSO e INÊS MENDES DA SILVA REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia. volume 7. número 1. 2004, p. 227-271 RESUMO: Neste estudo apresenta-se a análise tipológica do espólio cerâmico recolhido nas escavações realizadas no povoado do Bronze Final I da Tapada da Ajuda, Lisboa. Introdução O povoado do Bronze Final da Tapada da Ajuda foi localizado em 1982, pouco tempo depois da realização de extensas terraplenagens destinadas à construção de um complexo desportivo da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Agronomia, incluindo um campo de rugby e diversos campos de ténis. Apesar da intensa perturbação evidenciada em toda a zona envolvente, em consequência de tais trabalhos, subsistia ainda, a Norte e a Sul da área atingida pelas escavações e aterros, duas zonas não destruídas, cujo interesse arqueológico era evidenciado pela existência de um nível com abundantes restos de ostras, exposto pelos taludes de escavação realizados no âmbito da construção do referido campo de rugby. Com o objectivo de explorar a parte ainda intacta da estação arqueológica, realizaram-se quatro campanhas de escavações, dirigidas pelo primeiro signatário, nos anos de 1983, 1984, 1986 e 1987, as quais contaram com a participação de um numeroso grupo de jovens estudantes, a mai- oria integrados em Programas de Ocupação dos Tempos Livres (OTL). Foram colaboradores mais próximos do signatário, numa primeira fase, os descobridores da estação, Júlio Roque Carreira, F. Freitas e Fernando Peixoto Lopes, com quem se publicou a notícia da sua descoberta (Cardoso et al., 1980/1981) e, depois, de J. R. Monjardino, A. S. Rodrigues e J. A. da Silva Paulo, a quem cumpre agradecer a ajuda desinteressada e eficaz que dispensaram às escavações, as quais não beneficiaram de qualquer apoio financeiro, oficial ou particular. As escavações de 1983 e de 1984 centraram-se na zona norte da vasta área ocupada pela estação, a qual se revelava mais promissora que a situada do lado sul; com efeito, os cortes executados no terreno para a construção do campo de rugby, estiveram na origem da própria descoberta da estação, visto terem posto a descoberto numerosos materiais cerâmicos, recolhidos no talude (Fig. 1), e uma camada conchífera, sobretudo representada por conchas de ostra, a que já se fez referência, correspondente a despejos de cozinha, que contrastavam com a coloração escura dos terrenos basálticos subjacentes, que representam ao substrato geológico local (Fig. 2). Os principais resultados obtidos naquelas duas campanhas já foram publicados (Cardoso et al., 1986), bem como os resumos dos respectivos relatórios de escavações (Cardoso, 1985, 1986). A campanha de 1986 realizou-se com o objectivo de, por um lado, prosseguir a escavação em extensão de uma zona habitacional parcialmente escavada em 1984 e, por outro, averiguar a real importância da zona meridional da estação, a qual até então tinha sido apenas objecto de prospecções de superfície, de que resultou, sobretudo, a recolha de copioso conjunto de elementos de foice sobre lascas de sílex, de bordos denticulados. O primeiro dos referidos objectivos conduziu à delimitação da zona habitacional aludida, denunciada sobretudo pela distribuição diferencial dos vestígios, que muito contribuíram para a caracterização da organização do espaço habitado, o que se conseguia, pela primeira vez, no âmbito da região e da época em causa. O segundo daqueles objectivos foi igualmente atingido, tendo-se verificado o escasso interesse arqueológico da área meridional da estação. No decurso da realização dos trabalhos, em Julho de 1986, compareceram no local arqueólogos e responsáveis autárquicos (como o Prof. Doutor O. da Veiga Ferreira e a Dr.ª Salete Simões Salvado, então responsável pela Direcção dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa), previamente recebidos pelo Conselho Directivo do Instituto Superior de Agronomia, acompanhados dos representantes de órgãos de comunicação social, de que resultou reportagem publicada no vespertino “Diário Popular”, em 25 de Julho de 1986.

Estudo prova que Homem já reciclava na pré-história

Estudo prova que Homem já reciclava na pré-história
A prática da reciclagem não é exclusiva do Homem moderno. A conclusão é de uma investigação recente realizada na Catalunha, Espanha, que se deparou com evidências de que o ser humano reciclava os seus artefactos de pedra na era do Paleolítico superior. Cientistas da Universitat Rovira e Virgili e do Instituto Catalán de Paleocologia Humana y Evolución Social (IPHES) analisaram artefactos queimados encontrados no sítio arqueológico de Molí del Salt, em Tarragona, tendo os resultados da análise confirmado que a reutilização de utensílios era um fenómeno habitual há 13.000 anos. De acordo com a equipa, citada pelo jornal espanhol El Mundo, o facto de estarem queimados é um dos sinais mais evidentes da reciclagem das ferramentas. "Escolhemos estes artefactos para a nossa análise porque podem demonstrar de forma simples se terá sido produzida uma modificação posterior à exposição ao fogo", explica Manuel Vaquero, investigador da Universitat Rovira i Virgili. Os arqueólogos encontraram uma elevada percentagem de restos queimados naquele local, mas constataram também que a prática da reciclagem não se aplicava da mesma maneira a todo o tipo de artefactos. Segundo os especialistas, o uso de ferramentas recicladas seria mais frequente no caso das atividades domésticas, parecendo estar associado a necessidades imediatas. No caso dos utensílios usados na caça, por outro lado, a reciclagem é uma prática muito mais rara. Vaquero adiantou que a reciclagem pode ter sido determinante nas aldeias de caçadores e recoletores do Paleolítico. "Tem importância económica, já que aumenta a disponibilidade de recursos, em particular em contextos de escassez. Além disso, é um fator relevante na interpretação dos sítios arqueológicos, porque os transforma em territórios onde se podia viver, mas que eram também locais de aproveitamento de recursos", sublinhou o investigador. Até ao momento existem poucos trabalhos de investigação efetuados sobre a temática da reciclagem de ferramentas na pré-história, mas o estudo catalão, publicado em Agosto no Journal of Archaeological Science, poderá agora ajudar a contribuir para o aumento dos dados existentes quanto a esta prática. Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

From the Origins: The Prehistory of the Inner Tagus Region - GRAFISMOS RUPESTRES PRÉ-HISTÓRICOS NO BAIXO ERGES(IDANHA-A-NOVA, PORTUGAL)

From the Origins: The Prehistory of the Inner Tagus Region Edited by P. Bueno Ramirez E. Cerrillo Cuenca A. Gonzalez Cordero BAR International Series 2219, 2011 GRAFISMOS RUPESTRES PRÉ-HISTÓRICOS NO BAIXO ERGES(IDANHA-A-NOVA, PORTUGAL) Francisco HENRIQUES, João Carlos CANINAS Arqueólogos. Da Associação de Estudos do Alto Tejo e da Plataforma de Estudos Arqueológicos do Médio Tejo João Luis CARDOSO Arqueólogo. Da Universidade Aberta. Da Associação de Estudos do Alto Tejo e da Plataforma de Estudos Arqueológicos do Médio Tejo Mário CHAMBINO Licenciado em História. Da Associação de Estudos do Alto Tejo Resumo: Apresentam-se os resultados da prospecção arqueológica efectuada pela Associação de Estudos do Alto Tejo no rio Erges, no trecho situado entre Segura e a posição correspondente à margem portuguesa da foz do Arroyo Boqueron (Espanha), cerca de 2 km a montante da foz do rio Erges no Tejo. Para além de se pretender dar continuidade e a trabalhos de cartografia arqueológica extensiva, iniciados nesta região em 1977, houve a intenção de identificar grafismos rupestres pré-históricos, depois de uma incursão efectuada, sem sucesso, nos anos setenta, aquando da descoberta do chamado Complexo de Arte Rupestre do Tejo, em Vila Velha de Ródão e Nisa. No decurso dos trabalhos no rio Erges, e no que concerne a novas grafismos rupestres, foi possível identificar, até ao momento, vários conjuntos de figuras geométrico-simbólicas (círculos simples e concêntricos), antropomorfos, alguns dos quais de configuração ancoriforme, possíveis zoomorfos, picotados dispersos ou em mancha e gravações incisas. Apesar do reduzido número e da escassa diversidade de gravuras, é possível correlacionar a maioria destes motivos com a arte esquemática do Tejo. Por outro lado, esta descoberta evidencia a expansão, para montante, do limite do complexo de arte rupestre holocénica detectado no rio Tejo e afluentes, nos anos setenta do séc. XX. Porém, e partindo do conhecimento actual sobre a distribuição e os quantitativos destas gravuras pré-históricas no rio Tejo, tem-se a convicção que a área nuclear daquele complexo simbólico estará situada nas margens do grande rio, sendo menos expressivas e até marginais as ocorrências presentes nos seus afluentes. Por outro lado, os achados efectuados em ambas as margens do rio Erges, reforçam a hipótese do Tejo Internacional conter conjuntos tão expressivos como os do Tejo português, o que só se poderá comprovar, no futuro, com a desactivação da barragem de Cedillo. Os grafismos rupestres identificados no rio Erges têm enquadramento na densa ocupação pré-histórica do Tejo internacional, coeva daquelas gravuras, identificada na zona envolvente, tanto em Portugal como em Espanha. Incluem-se nesse contexto diversos tipos de monumentos megalíticos, com destaque para os de cariz funerário – em alguns dos quais também foram identificados grafismos, na zona de Cáceres – e sítios de habitat, sobre as coberturas detríticas do território de Rosmaninhal (Idanha-a- Nova). As representações antropomórficas, as mais expressivas naquele conjunto e fiáveis do ponto de vista cronológico, podem ser enquadradas no Neolítico Final-Calcolítico (IV e III milénio a. C.), de acordo com as periodizações propostas por António Martinho Baptista (fase II, megalítica) e Mário Varela Gomes (período meridional). Palavras-chave: Rio Erges, bacia hidrográfica do Tejo, grafismos rupestres esquemáticos, Neolítico, Calcolítico

À procura do canivete suíço da Pré-História

À procura do canivete suíço da Pré-História Lucinda Canelas Texto Daniel Rocha Fotografia 24/02/2013 - 00:00 Um jovem arqueólogo descobriu vestígios do Paleolítico na Lousã. São ferramentas talhadas em pedra há pelo menos 200 mil anos. Mas, se os trabalhos continurem, poderão encontrar-se traços muito mais recuados de ocupação humana da serra Escolhe a pedra que vai trabalhar com cuidado e depois põe um pedaço de pele de cabra sobre o joelho onde vai apoiá-la. À sua volta, tem já um kit de ferramentas invulgar: sílex, quartzito, propulsores em pedra e em osso. "Uma haste de cervídeo pode ser muito útil na fase final, de pormenor", diz. Em poucos minutos, uma rocha aparentemente banal pode transformar-se num biface perfeito, com um gume tão afiado que poderíamos usá-lo para fazer cortes de precisão em carne crua. Filipe Paiva aprendeu a talhar pedra em Tarragona, onde defendeu a sua tese de mestrado sobre as indústrias líticas da Lousã, trabalho inédito, já que o Paleolítico da serra está por estudar. Moldar a pedra com as mesmas ferramentas que usariam os hominídeos que viveram na Península Ibérica há centenas de milhares de anos ajuda-o a perceber melhor como pensavam estes caçadores-recolectores, como organizavam as suas comunidades nómadas e distribuíam tarefas para garantir a sobrevivência numa época em que é bem provável que pelo território que é hoje português andassem animais de grande porte, como elefantes, ursos e rinocerontes. "Quando pegamos em muitos dos machados de mão, lascas e bifaces que recolhi, podemos identificar formas diferentes de pensar", explica este arqueólogo de 30 anos que anda há oito pela Lousã, sobretudo pelas margens do rio Ceira, à procura dos vestígios destes homens - pedras talhadas, usadas para cortar, raspar e escavar. Até agora, reuniu 67 artefactos, que estudou e catalogou, mas garante que basta dar uns passeios pela serra para aumentar a colecção."O que as pessoas mais identificam dos livros da escola é o biface, que é uma espécie de canivete suíço da Pré-História porque tem vários usos possíveis, embora sirva sobretudo para cortar peles e carne. A lasca é maior, mais tosca, e pode chegar a pesar meio quilo. O machado de mão era muito provavelmente utilizado para desmembrar os animais. Ninguém desmancha um urso com um bisturi", diz Paiva, que identificou já 23 locais com artefactos, um número que, acredita, estará muito longe de atingir os 10% dos que há espalhados pela região. Cada artefacto tem a sua função, como os talheres num faqueiro. Mas como é que se sabe se um pedaço de quartzito dará um bom machado? "Se o som que faz quando outra pedra lhe toca é metálico, é bom; se for oco, é mau. Demorei muito tempo a perceber isto. Foi preciso dar cabo de alguns dedos e talhar muitos [pedaços de quartzito] que se partiram a meio do processo." O piloto-arqueólogo Foi com o avô, que tinha uma oficina onde hoje é uma das salas de estar do turismo de habitação que dirige - o Quintal do Além do Ribeiro, que funciona na casa de família, construída em 1752 -, que o jovem arqueólogo se habituou a olhar para o chão com o "vício de procurar". Primeiro parafusos, que considerava tesouros, hoje bifaces e machados do Paleolítico. Pelo meio, ficam os fósseis que o pai lhe trazia da caça. "Gosto de olhar para o chão. Habituei-me a isso, e hoje é quase um vício. As minhas memórias de paisagem têm sempre mais a ver com a cor da terra e com as rochas do que com as árvores e as casas. E isso acontece por causa da Arqueologia e dos treinos de trial." Filipe Paiva é piloto de trial em motas e foi assim que fez a sua primeira descoberta, em 2005. A modalidade exige muito treino fora de estrada e, para encontrar vestígios de uma ocupação que acredita ter sido muito dispersa, nada melhor do que sair dos caminhos principais. Paiva estava na Foz de Arouce quando deu com a primeira pedra talhada, completamente por acaso. E é precisamente à Quinta de Foz de Arouce, propriedade centenária com 60 hectares, 15 dos quais ocupados por vinhas de onde saem vinhos premiados, que leva o PÚBLICO para explicar a diferença entre uma rocha talhada e outra que sofreu uma erosão natural. A tarefa não é fácil, já que, à chegada ao terreno onde um marco comemora uma das mais célebres batalhas das invasões francesas (1811, quando Masséna já batia em retirada, empurrado por portugueses e ingleses), há rochas soltas por todo o lado, como se alguém as tivesse semeado entre os pés de videira. Muitas são roliças, com a superfície polida, porque antes - muito antes -, o rio corria naquele planalto e não lá em baixo, no vale, explica o arqueólogo, que fez mais de 2000 quilómetros a pé e de mota desde que começou a prospecção para a tese de mestrado, em 2008. Sempre que uma rocha tem fracturas concoidais - que apresentam superfícies lisas e curvas, semelhantes ao interior de uma concha - é porque teve a mão do homem. "Quando encontramos uma fractura concoidal, sabemos que aquela rocha foi talhada", diz o arqueólogo, apontando para um dos exemplares armazenados na Aflopinhal, associação de desenvolvimento florestal da Lousã, onde fez o estágio em que inseriu grande parte do seu trabalho de prospecção no concelho. "A natureza não faz fracturas em concha nem retoques. Quando pegamos num destes machados, por exemplo, vemos que há aqui um fito preciso, que o gume está adaptado a uma tarefa específica." A natureza, explica Paiva, provoca dois tipos de fragmentação, ligados a variações de temperatura: uma, por causa do calor, deixa a superfície das rochas com um efeito rugoso, tipo casca de laranja; o outro, designado por crioclastia, acontece sempre que a água, depois de entrar nos veios e fendas de uma pedra, congela, fazendo com que ela se parta. "Quando a pedra dá uma pancada noutra pedra, cria uma onda de choque, que faz com que a lasca se desprenda. E é fácil de identificar, porque deixa um cone hertziano." Estes artefactos podem fazer-nos recuar milénios no tempo. Até 500 mil anos, acredita Paiva, embora não possa ainda comprová-lo. "Para já, não podemos definir com certeza a sua datação. O que podemos dizer é que o Homo sapiens e o Neanderthal já não usam este tipo de tecnologia." Em contexto Luiz Oosterbeek, professor de Pré-História no Instituto Politécnico de Tomar e um dos especialistas que mais têm acompanhado a investigação de Filipe Paiva, é muitíssimo cauteloso quanto a uma eventual datação, já que não foram encontradas ainda quaisquer ossadas que possam relacionar-se com estes artefactos. "Em Espanha, há sítios com uma datação muito fundamentada, que recua um milhão de anos. Não será estranho vir a encontrar algo semelhante em Portugal - será até muito previsível. Mas, sem estudos mais aprofundados, sem dados antropológicos, não podemos, de forma alguma, afirmar que é este o caso. Precisamos de mais informação, de encontrar artefactos em contexto." Os que Filipe Paiva recolheu estavam todos à superfície - das duas sondagens arqueológicas que fez na Quinta de Foz de Arouce não resultaram quaisquer materiais do Paleolítico. Para Oosterbeek, que já reuniu com o vereador da Cultura da Lousã, Hélder Bruno Martins, para discutir o que fazer com o espólio reunido por Paiva, a prioridade é a realização de mais sondagens, com a garantia de que os lugares posteriormente escolhidos para escavação serão trabalhados de forma sistemática durante quatro ou cinco anos. "Conhecemos ainda muito mal a realidade do Paleolítico em Portugal. Primeiro pensávamos que se restringia ao Tejo", diz. E recorda que a ocupação mais antiga em território português foi identificada no vale deste rio e tem cerca de 300 mil anos. "O Côa veio demonstrar que estávamos errados, embora diga respeito a um período muito mais recente [20 mil anos]. Agora identificam-se estes sítios quando antes não havia qualquer referência ao Paleolítico na Lousã..." Oosterbeek não tem dúvidas de que os artefactos são do Paleolítico Médio ou Inferior, o que equivale a dizer que terão, pelo menos, 200 mil anos. Mas há que ter cuidado com datas, adverte, lembrando que, para fazer investigação em Pré-História, é precisa muita paciência. O facto de terem sido recolhidos à superfície fragiliza-os - não têm contexto estratigráfico, que é o que dá a informação mais precisa e fidedigna. "Contexto" é o que não falta aos materiais saídos das grutas de Atapuerca, a serra espanhola onde, nos últimos anos, têm vindo a ser recuperados vestígios de hominídeos, alguns com 1,2 milhões de anos (até agora, os mais antigos da Europa Ocidental). Em Atapuerca, há hoje um extenso campo arqueológico, onde Paiva escavou. Foi lá que conheceu dois especialistas em Paleoecologia humana: Josep Maria Vergès e Marina Mosquera. Tal como Oosterbeek, os dois investigadores espanhóis acreditam que as ferramentas descobertas na Lousã pertencem às indústrias antigas do Acheulense, período que começa há 1,7 milhões de anos e termina há 250/300 mil. "Agora é absolutamente prioritário escavar para encontrar objectos in situ", dizem por email os dois especialistas, que integram a maior equipa de estudos paleolíticos da península. "Os vestígios fora de contexto têm menos valor interpretativo. É preciso escavar: em primeiro lugar, porque a estratigrafia dá-nos informação sobre a sucessão no tempo dos vários momentos de ocupação humana; em segundo, porque os próprios sedimentos e a sua disposição dão-nos dados sobre o paleoambiente de cada ocupação. É com tudo isto que os conjuntos arqueológicos ganham personalidade." Vergès e Mosquera não conhecem a zona da Lousã, mas conhecem algumas das peças que o arqueólogo português levou para a Universidade de Tarragona, para serem analisadas ao microscópio de electrões, que parece iluminar cada traço, cada fenda: "Através deste exame meticuloso, podemos perceber se um biface foi usado para cortar madeira ou carne", explica Paiva. A dupla espanhola garante que, se a análise se restringisse às características tipológicas dos utensílios recuperados, seria fácil concluir que teriam 500 mil anos, cronologia aceite para datar artefactos semelhantes em toda a Europa. Mas é possível que alguns sejam mais tardios - algo que não se arriscam a afirmar sem contexto. Seja como for, acrescenta Oosterbeek, há um enorme interesse científico em levar mais longe o estudo desta ocupação na Lousã. Um interesse que poderia vir a ter ganhos económicos, se os seus resultados fossem depois devidamente explorados pelo turismo. A autarquia, garante Hélder Bruno Martins, está interessada em cuidar do espólio, mal o arqueólogo entregue os relatórios com as conclusões dos trabalhos à Direcção-Geral do Património Cultural, que autorizou a prospecção e as sondagens. "Estamos muito interessados nas conclusões finais destes relatórios", disse ao PÚBLICO o vereador da Cultura e Educação, que gostaria de ver o espólio tratado e exposto no Museu Municipal, que reabrirá em breve. "Pelo que conhecemos dos relatórios preliminares, é uma investigação que pode trazer dados muito importantes sobre a ocupação humana da serra." Filipe Paiva garante que procurou várias vezes que a autarquia se interessasse pela sua investigação, "sem grandes resultados". O espólio recolhido está hoje numa sala da Aflopinhal, sem que haja para já qualquer plano para a integrar no museu. E o arqueólogo está a planear emigrar para o Canadá no próximo ano, como fizeram outros colegas. Primeiro fará "o que for preciso", depois quer trabalhar em Arqueologia. Vai sentir saudades das suas pedras, de dormir em grutas pela serra e de cozinhar à fogueira, como costumava fazer com alguns amigos, admite. "Queria sentir como viviam os homens que andaram por aqui há milhares de anos para perceber melhor como pensavam, como caçavam e como usavam os utensílios que recolhi." Resultou? "Acho que sim. Naquela altura, não devia ser fácil viver aqui... Ainda que os motivos sejam muito diferentes, hoje também não é."

Vila Nogueira de Azeitão: Da pré-história à ocupação árabe

Vila Nogueira de Azeitão: Da pré-história à ocupação árabe Não é nossa intenção fazer um estudo aprofundado desta época, mas chamar a atenção dos interessados para a antiguidade do povoamento desta região que, no século passado, Joaquim Rasteiro pressentira e investigara e que actualmente vem sendo sistematicamente estudada. É importante acentuar que, no que se refere a este período, a região de Azeitão não pode ser entendida como um todo independente das regiões circunvizinhas e com a sua especificidade, mas integra-se numa área mais vasta, que se estende do cabo Espichel à foz do Sado, abrangendo Sesimbra, Tróia e Setúbal, que «integram um conjunto indissociável de vestígios do processo histórico que teve como palco a cordilheira da Arrábida». Pelo que nos foi dado conhecer, a ocupação humana aqui não foi igualmente intensa ao longo dos milhares de anos que este período engloba, mas abrange largas fases da pré-história, com indústrias especificas, uma importante ocupação romana e, posteriormente, uma colonização árabe, sensível, sobretudo, através da toponímia. Deve-se também acentuar que a região da Arrábida dispõe de condições naturais especialmente propicias à fixação dos primeiros homens, quer nas «pequenas praias rochosas entre o Espichel e Sesimbra, quer nas grutas, que foram duplamente utilizadas, como habitat e como necrópole. Assim, foi possível detectar uma ocupação humana que se pode fazer remontar a um milhão e duzentos mil anos, indiciável através de uma indústria de pebble-culture, que teria continuado até há cerca de duzentos mil anos, «na qual e evidente a persistência de uma tecnologia muito incipiente, com forte domínio dos seixos afeiçoados do chamado "estilo lusitaniano" ... »'. Calhaus que revelam afeiçoamento dado pelo homem apareceram quer no conglomerado de Belverde, entre o Tejo e a base da cordilheira da Arrábida, quer nas praias fósseis da costa ocidental da Arrábida . Os períodos subsequentes do Paleolítico Médio e Superior e do Epipaleolítico são mal conhecidos na região da Arrábida, mas achados disperses comprovam a existência de povoamento durante esses períodos, o que pode vir a ser esclarecido com a descoberta de novas jazidas. Não se conhecem, igualmente, jazidas do Mesolítico, mas já o Neolítico Antigo é detectável num povoado de ar livre dos arredores de Santana (Fonte de Sesimbra) e na Lapa do Fumo, gruta junto à falésia litoral entre Sesimbra e o Espichel'. Outra jazida do Neolítico, a de Galapos, foi destruída pela construção da estrada'. Os achados encontrados nos locais acima referidos compreendem objectos de pedra lascada e de pedra polida e cerâmica modelada à mão, muito simples, que se integra no Neolítico Antigo do Mediterrâneo Ocidental". Essas populações viveram da recolecçâo de marisco, da pesca e da caça de pequenos animais. Não se descobriram monumentos megalíticos na região da Arrábida, mas um topónimo, que desapareceu, pode fazer pressupor a sua existência. Segundo Joaquim Rasteiro no registo das propriedades da Igreja de Santa Maria de Sesimbra, feito em princípios do século XV, lê-se: «Affonso Vicente paga ás alampadas da egreja de S. Maria um foro de 50 soldos, da moeda antiga, de uma herdade que jaz nas Antas caminho de Azeitão - Affonso Vasques, pescador, paga um foro de 20 soldos de boa moeda antiga por uma vinha nos chãos acerca das Antas. ». Sabendo-se que a toponímia é um elemento indispensável na pesquisa de vestígios deste tipo, é provável que ai existissem dólmenes. Em contrapartida, encontram-se nesta sepulturas colectivas quer do tipo grutas artificiais, escavadas em calcário as da Quinta do Anjo (Palmela), quer aproveitando grutas as das Lapas do Fumo e do Bugio (Sesimbra). Já Joaquim Rasteiro se refere às grutas artificiais informando que as mesmas «foram exploradas pelos annos 1860 ou 870» ". Essas grutas foram usadas como sepulturas colectivas durante cerca de mil anos, a última fase do Neolítico recente até finais da Idade do Cobre. Da mesma fase são as duas grutas artificiais que se situam na Quinta de S. Paulo, junto do caminho de acesso às ruínas do Convento da Arrábida; as grutas naturais da Lapa do Fumo e da Lapa do Bugio também apresentam sepulturas do mesmo período. As populações que aqui enterravam os seus mortos habitavam locais elevados, facilmente defensáveis, como o Alto de S. Francisco na serra entre Vila Fresca de Azeitão e Cabanas, cujos habitantes explorariam a zona agrícola do vale do Alcube.

Lisboa: Origens. Pré e Proto-história (500 000 a.C. – 600 a.C.)

Origens. Pré e Proto-história (500 000 a.C. – 600 a.C.)
A História do território e da cidade de Lisboa está directamente ligada à sua situação geográfica, junto do estuário do rio Tejo. O início do povoamento da região de Lisboa teve lugar durante o Paleolítico (c. 500 000 a.C. – c. 10 000 a.C.), em pleno curso do processo de hominização. Neste período, grandes alterações climáticas foram transformando a paisagem. Ciclos de transgressão marinha, em que a subida do nível das águas provocou a inundação dos vales, alternaram com outros de regressão, onde o recuo das águas produziu o encaixe dos vales fluviais alimentados por inúmeras pequenas ribeiras de água doce. Nas encostas e terraços elevados destes vales viriam a surgir os principais focos de ocupação humana, atingindo o auge no decurso do Acheulense Superior / Mustierense (c. 200 000 a.C. – c. 30 000 a.C.). São deste período os acampamentos de cariz temporário do Vale da Ribeira de Alcântara, que testemunham o processamento de caça, bem como a recolha e debitagem de sílex, matéria-prima utilizada no fabrico de variados artefactos. Bifaces como os que foram recolhidos em Campolide fazem parte de um conjunto extremamente importante de artefactos do Acheulense e estão entre os mais antigos até agora conhecidos, fazendo remontar a ocupação do território de Lisboa a um período entre os 300 000 e os 100 000 anos a.C. A partir do Neolítico (c. 5 500 a.C. – c. 2 000 a.C.) a ocupação deste território passou a incidir particularmente na região do manto basáltico de Lisboa – Serra de Monsanto, como atestam os povoados de Montes Claros e Vila Pouca, mas expandiu-se também por outras áreas servidas de múltiplos recursos naturais, como é o caso da Encosta de Sant´Ana ao Martim Moniz. Coexistindo com instrumentos de pedra talhada, como as pontas de seta, lâminas e raspadores, surgiram novos instrumentos de pedra polida, como os machados, as enxós e as goivas. A caça e a recolecção, praticadas a par da emergente agricultura e da pastorícia foram lentamente acentuando a intervenção e o domínio do homem no meio ambiente. As cerâmicas, dos pequenos recipientes aos vasos de grandes dimensões destinados ao armazenamento dos excedentes da produção, assim como a tecelagem e a cestaria, traduzem também uma sociedade em mudança. A Neolitização teve também projecção num complexo fenómeno de cariz espiritual-religioso, materializado em estruturas monumentais diversificadas: o Megalitismo. Apesar de coexistirem diferentes manifestações destas práticas na região de Lisboa, entre as quais as conhecidas Antas, as grutas foram a solução mais utilizada como espaço sepulcral. No decorrer do período Calcolítico (c. 3 000 a.C. – c. 1 000 a.C.) acentua-se a consciência do homem nas suas capacidades produtivas e transformadoras da natureza, conduzindo lentamente ao surgimento de sociedades estabilizadas baseadas na agricultura intensiva e à hierarquização dos povoados e das suas redes de comércio inter-regional. São testemunhos deste período, o domínio da metalurgia do cobre e a construção ou reforço de grandes povoados muralhados, de que o povoado de Montes Claros é um exemplo relevante. Durante a Idade do Bronze (c. 1 000 a.C. – 800 a.C.) a matriz social desagrega-se e os grandes povoados fortificados dão lugar a comunidades fortemente hierarquizadas de poder centralizado. No Século XIII a.C., ocupação da Tapada da Ajuda ilustra bem esta nova forma de povoamento. A existência de terrenos férteis ao longo de uma encosta aberta, na proximidade do Tejo, permitiu a fixação de uma comunidade essencialmente agro-pastoril, atestada pela recolha de centenas de denticulados de sílex, elementos integrantes de foices. Na Idade do Ferro, a região detinha uma importância à qual não seria alheia a sua excelente posição estratégica e a diversidade de recursos naturais. o povoado indígena de Olisipo, originado durante os séculos VIII - VII a.C., encontrava-se instalado no morro e encosta do Castelo, fortemente conectado com o tráfico marítimo e o mundo oriental, sobretudo fenício. A exposição permanente do Museu da Cidade, evidencia artefactualmente os principais momentos evolutivos das sociedades humanas ao longo deste período. Estão patentes alguns dos mais antigos instrumentos líticos em sílex recolhidos em Lisboa (Chaminé de Campolide), a par de importantes conjuntos de utensilagem lítica e produções cerâmicas Neolíticas e Calcolíticas provenientes de povoados identificados na Serra de Monsanto (Vila Pouca e Montes Claros).

quarta-feira, julho 24, 2013

Os seixos talhados no Paleolítico Superior do Sudoeste peninsular

Os seixos talhados no Paleolítico Superior do Sudoeste peninsular Telmo Jorge Ramos Pereira, Universidade do Algarve telmojrpereira@gmail.com RESUMO Ignoradas durante quase duzentos anos, as indústrias macrolíticas do Paleolítico Superior acabaram por se cruzar definitivamente com os investigadores da Faixa Atlântica Peninsular, no baldear do século XX. A descoberta de jazidas cuja principal componente era este tipo de materiais não permitiram que a situação se mantivesse e tiveram investigação monográfica dedicada, os quais comprovaram o volume e a importância do quartzito. Esta mudança de paradigma exigiu a realização de um programa dedicado o qual demonstrou (1) que a utilização do quartzito e rochas granulosas era um pilar na economia destas populações; (2) que esse uso tinha razões funcionais que se basearam nas suas características físicas; (3) que a sua exploração se desenvolveu segundo critérios tecnológicos rígidos; (4) os quais registaram variações ao longo da diacronia em causa. Palavras-chave: Macrolíticos; Quartzito; Sudoeste peninsular

O estudo dos seixos rolados sumariamente transformados por talhe no âmbito das indústrias líticas de quartzite do Paleolítico Português

O estudo dos seixos rolados sumariamente transformados por talhe no âmbito das indústrias líticas de quartzite do Paleolítico Português João Pedro Cunha-Ribeiro O estudo dos seixos rolados sumariamente transformados por talhe no âmbito das indústrias líticas de quartzite do Paleolítico Português João Pedro Cunha-Ribeiro Estudos em Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, p. 453-467 Um olhar sobre o passado A persistente utilização da quartzite como matéria-prima para a produção das mais diversas peças líticas talhadas é uma realidade desde sempre reconhecida pelos investigadores que dedicaram alguma atenção ao estudo da nossa Pré-história nas suas fases mais recuadas. 0 próprio General Carlos Ribeiro, a quem muito justamente se atribui um papel de destaque no nascimento da Arqueologia Pré-histórica em Portugal, não só o deixava transparecer na titulação da sua primeira obra sobre os remotos vestígios da presença do homem nas bacias dos rios Tejo e Sado - Descripção de alguns silex e quartzites lascados encontrados nas camadas dos terrenos terciario e quaternário das bacias do Tejo e do Sado - como também aí sublinhava a circunstância de a quartzite ter sido "raramente empregada pelo homem ante-historico que habitava latitudes differentes das nossas, para o preparo dos seus utensilios e armas" (Ribeiro 1871, p. 54). Na apreciação das características de tais materais o referido investigador já destacava, porém, a presença de "formas particulares, devidas tanto ao modo de lascar d'esta rocha, aliás muito diferente da do silex ou da ágata, como a terem sido geralmente separadas as lascas de seixos rolados de quartzite, de figura ovoidal mais ou menos oblonga, como está indicado nas formas dos núcleos e das lascas rejeitadas" (Ribeiro, 1871, p.9). Mais adiante reconhecia-se que a diversidade morfológica de tais peças resultaria do "ponto do seixo ferido pela pancada", mesmo se "o trabalho de lascar aquelles seixos foi activo, e era sempre dirigido e executado do mesmo modo, ou sob determinadas regras" (Ribeiro, 1871, p.55). Esta precoce e promissora avaliação dos condicionamentos morfológicos e das particularidades técnicas associadas à produção de materiais líticos talhados em quartzito não teve a continuidade merecida. As preocupações prevalecentes centraram-se num primeiro momento no estabelecimento da grande antiguidade do homem, questão essa queem Portugal se circunscreveu essencialmente à discussão, iniciada aliás por Carlos Ribeiro, em torno da existência de vestígios do homem terciario, para em seguida se passar a valorizar o maior ou menor apuro morfológico e técnico de algumas peças líticas emblemáticas, como era por exemplo o caso dos coups-de-poing, por forma a determinar o carácter mais ou menos evoluído e a consequente posição cronológica relativa dos conjuntos arqueológicos a que se pressupunha que tais artefactos se encontrariam associados (Cunha-Ribeiro, 1995-1997).

II Jornadas de Arqueologia do vale do Tejo

II Jornadas de Arqueologia do vale do Tejo Museu Nacional de Arqueologia, 4-7 Dezembro 2013 No Vale do Tejo estão documentadas várias ocupações humanas desde o Paleolítico Inferior. Devido à sua inegável importância científica, inúmeros investigadores, nacionais e estrangeiros, têm estudado e publicado vários artigos, livros e teses sobre a arqueologia desta região. Destes investigadores podem destacar-se, os nomes de Carlos Ribeiro, o “pai” da arqueologia pré-histórica portuguesa, Georges Zbyszewski, Veiga Ferreira e, mais recentemente, João Luís Cardoso, Luís Raposo, Luiz Oosterbeek, António Martinho Baptista, Mário Varela Gomes e José Rolão, entre muitos outros.

As ocupações paleolíticas no Nordeste alentejano: uma aproximação geoarqueológica

As ocupações paleolíticas no Nordeste alentejano: uma aproximação geoarqueológica NELSON Almeida, SARAH Deprez MORGAN De Dapper Apresentam-se os resultados dos trabalhos de prospecção e sondagem arqueológicas realizados no Nordeste alentejano ao abrigo do projecto PHANA (Pré-História Antiga no Nordeste Alentejano). Focam-se também os resultados dos trabalhos de geomorfologia e geoarqueologia levados a cabo por uma equipa da Universidade de Ghent (Bélgica) no complexo paleolítico do Arneiro. Finalmente, dão-se a conhecer os resultados de duas datações por OSL realizados nos sítios do Paleolítico Médio do Azinhal e Pegos do Tejo 2.

Neolítico antigo e médio na margem esquerda do Baixo Tejo

Projecto de Investigação (PNTA 2005) Neolítico antigo e médio na margem esquerda do Baixo Tejo Arqueólogos responsáveis: César Neves Ana Filipa Rodrigues Mariana Diniz Resumo O presente projecto tem como objectivo central a caracterização cronológica e cultural do Neolítico antigo e médio (entre 6500 e 4500 BP) , na margem esquerda do baixo Tejo (áreas administrativas que correspondem aos concelhos de Salvaterra de Magos e Benavente). Face aos dados disponíveis acerca do povoamento mesolítico, é notório o vazio informativo relativo aos períodos posteriores (Neolítico antigo e médio). Trabalhos recentes produzidos, quer a nível académico (LOPES, Relatório inédito) , quer no âmbito de arqueologia de emergência (construção da A13 e da A10) , puseram a descoberto contextos enquadráveis, a par t ir de uma análise tipológica dos materiais, na Pré-história recente. A partir destes trabalhos é hoje possível dar início ao estudo das sociedades humanas que habitaram a região, num período compreendido entre o 6º e o 4º milénio cal AC. Pretende-se, através da relocalização de sítios mencionados na bibliografia, da realização de prospecções e de sondagens de avaliação, detectar e caracter izar as modal idades de implantação e redes de povoamento dos primeiros grupos produtores estabelecidos na margem esquerda do Baixo Tejo. Em simultâneo, procura detectar -se a existência de continuidades e/ ou rupturas com as estratégias do povoamento mesolítico conhecido na região, quer ao nível dos critérios da implantação dos espaços de habitat , quer ao nível das práticas económicas e das indústrias de pedra lascada. Desta forma, pretende-se iniciar um projecto de investigação que caracterize, numa perspectiva sincrónica as duas primeiras etapas do Neolítico, nomeadamente no que refere às suas redes de povoamento, cultura material, avaliando o peso efectivo de alguns fósseis directores, subsistema económico e comportamento simbólico. Este projecto visa ainda, numa perspect iva diacrónica, a caracterização das modalidades de passagem do Neolítico antigo ao Neolítico médio e avaliação dos planos de continuidade e ruptura cultural. Detectar alterações de fundo no sub-sistema económico e as eventuais conexões crono-culturais entre habitats do Neolítico médio e as necrópoles megalít icas da região, são outros object ivos não menos relevantes deste programa de trabalhos. A persecução dos objectivos atrás expostos deve realizar-se no âmbito de um inquérito transdisciplinar , construído em colaboração com investigadores das seguintes áreas: geologia, geomorfologia, petrologia, botânica, zoologia e arqueometria. Os resultados obtidos no âmbito deste projecto serão publicados, quer em revistas e congressos da especialidade, quer em acções de divulgação destinadas ao grande público.

O Mesolítico Os últimos caçadores- recolectores viveram à beira-mar e nos estuários dos grandes rios, com uma dieta baseada, em parte, nos recursos aquáticos... O Mesolítico foi o período pré-histórico situado entre o Paleolítico e o veja páginaNeolítico, que na Peninsula Ibérica durou aproximadamente entre 10.000 anE e 5.000 anE. O seu nome nome significa Idade Média da Pedra (do grego mesos=medio e lithos=pedra) por contraposição ao Paleolítico (Idade Antiga da Pedra) e ao veja páginaNeolítico (Idade Nova da Pedra). Ferramentas de sílex Microlitos: minúsculas ferramentas de sílex mesolíticas. O fim da era glacial, as veja páginamudanças climáticas . A vida dos últimos veja páginacaçadores-recolectores. veja páginaOs concheiros. No Mesolítico, os homens caçaram, pescaram e recolheram – como já o tinham feito os seus antepassados, durante os longos milhares de anos do Paleo-lítico Superior –, mas num meio ambiente radicalmente diferente. Depois da veja páginaúltima glaciação, o homem trocou as grutas pela beira-mar e pelas margens dos rios. Surgem novas formas de pooamento e novos métodos de subsistência das comunidades mesolíticas que ocuparam novos nichos ecológicos nos antigos estuários dos grandes rios e no litoral. tendas A última grande transformação climática fez subir as temperaturas e aumentar a pluviosidade – e modificou a flora e fauna drasticamente. Transformações que levaram à adopção de novas estratégias de povoamento e subsistência. O homem viu-se obrigado a explorar novos habitats e novas fontes de alimento. A mudança climática forçou as comunidades a procurar novos territórios; mudaram-se para a beira-mar (as veja páginacostas marítimas da Estremadura, do Alentejo e do Algarve) e para as margens dos grandes rios (por exemplo nos veja páginaamplos estuários do Tejo e do Sado), onde abundavam peixes, crustáceos e conchas. Os recursos aquáticos faziam parte da dieta diária destas populações. As investigações realizadas em Portugal sobre os caçadores-recolectores mesolíticos têm-se centrado nos veja páginaconcheiros dos vales do Tejo e do Sado, abarcando uma ocupação entre 7.500 e 6.000 a.n.E. Estes dois núcleos de jazidas mesolíticas foram os últimos redutos de um modo de vida baseado exclusivamente na exploração de recursos selvagens.

O Mesolítico Os últimos caçadores- recolectores viveram à beira-mar e nos estuários dos grandes rios, com uma dieta baseada, em parte, nos recursos aquáticos...
O Mesolítico foi o período pré-histórico situado entre o Paleolítico e o veja páginaNeolítico, que na Peninsula Ibérica durou aproximadamente entre 10.000 anE e 5.000 anE. O seu nome nome significa Idade Média da Pedra (do grego mesos=medio e lithos=pedra) por contraposição ao Paleolítico (Idade Antiga da Pedra) e ao veja páginaNeolítico (Idade Nova da Pedra). Ferramentas de sílex Microlitos: minúsculas ferramentas de sílex mesolíticas. O fim da era glacial, as veja páginamudanças climáticas . A vida dos últimos veja páginacaçadores-recolectores. veja página Os concheiros. No Mesolítico, os homens caçaram, pescaram e recolheram – como já o tinham feito os seus antepassados, durante os longos milhares de anos do Paleo-lítico Superior –, mas num meio ambiente radicalmente diferente. Depois da veja páginaúltima glaciação, o homem trocou as grutas pela beira-mar e pelas margens dos rios. Surgem novas formas de pooamento e novos métodos de subsistência das comunidades mesolíticas que ocuparam novos nichos ecológicos nos antigos estuários dos grandes rios e no litoral. tendas
A última grande transformação climática fez subir as temperaturas e aumentar a pluviosidade – e modificou a flora e fauna drasticamente. Transformações que levaram à adopção de novas estratégias de povoamento e subsistência. O homem viu-se obrigado a explorar novos habitats e novas fontes de alimento. A mudança climática forçou as comunidades a procurar novos territórios; mudaram-se para a beira-mar (as veja páginacostas marítimas da Estremadura, do Alentejo e do Algarve) e para as margens dos grandes rios (por exemplo nos veja páginaamplos estuários do Tejo e do Sado), onde abundavam peixes, crustáceos e conchas. Os recursos aquáticos faziam parte da dieta diária destas populações. As investigações realizadas em Portugal sobre os caçadores-recolectores mesolíticos têm-se centrado nos veja páginaconcheiros dos vales do Tejo e do Sado, abarcando uma ocupação entre 7.500 e 6.000 a.n.E. Estes dois núcleos de jazidas mesolíticas foram os últimos redutos de um modo de vida baseado exclusivamente na exploração de recursos selvagens. O Mesolítico foi o período pré-histórico situado entre o Paleolítico e o veja páginaNeolítico, que na Peninsula Ibérica durou aproximadamente entre 10.000 anE e 5.000 anE. O seu nome nome significa Idade Média da Pedra (do grego mesos=medio e lithos=pedra) por contraposição ao Paleolítico (Idade Antiga da Pedra) e ao veja páginaNeolítico (Idade Nova da Pedra). Ferramentas de sílex Microlitos: minúsculas ferramentas de sílex mesolíticas. O fim da era glacial, as veja páginamudanças climáticas . A vida dos últimos veja páginacaçadores-recolectores. veja páginaOs concheiros. No Mesolítico, os homens caçaram, pescaram e recolheram – como já o tinham feito os seus antepassados, durante os longos milhares de anos do Paleo-lítico Superior –, mas num meio ambiente radicalmente diferente. Depois da veja páginaúltima glaciação, o homem trocou as grutas pela beira-mar e pelas margens dos rios. Surgem novas formas de pooamento e novos métodos de subsistência das comunidades mesolíticas que ocuparam novos nichos ecológicos nos antigos estuários dos grandes rios e no litoral. tendas A última grande transformação climática fez subir as temperaturas e aumentar a pluviosidade – e modificou a flora e fauna drasticamente. Transformações que levaram à adopção de novas estratégias de povoamento e subsistência. O homem viu-se obrigado a explorar novos habitats e novas fontes de alimento. A mudança climática forçou as comunidades a procurar novos territórios; mudaram-se para a beira-mar (as veja páginacostas marítimas da Estremadura, do Alentejo e do Algarve) e para as margens dos grandes rios (por exemplo nos veja páginaamplos estuários do Tejo e do Sado), onde abundavam peixes, crustáceos e conchas. Os recursos aquáticos faziam parte da dieta diária destas populações. As investigações realizadas em Portugal sobre os caçadores-recolectores mesolíticos têm-se centrado nos veja páginaconcheiros dos vales do Tejo e do Sado, abarcando uma ocupação entre 7.500 e 6.000 a.n.E. Estes dois núcleos de jazidas mesolíticas foram os últimos redutos de um modo de vida baseado exclusivamente na exploração de recursos selvagens.

terça-feira, julho 23, 2013

O s períodos iniciais da arte do Vale do Tejo (Paleolítico e Epipaleolítico)

Os períodos iniciais da arte do Vale do Tejo (Paleolítico e Epipaleolítico) Artigo de Mário Varela Gomes CUADERNOS DE ARTE RUPESTRE RESUMO As cerca de 20.000 gravuras que se calcula constituirem a arte rupestre do Vale do Tejo, descoberta em 1971, mostram evolução cronoestilística, correspondendo a longo ciclo artístico iniciado nos começos do Paleolítico Superior e que alcança os tempos proto-históricos. Ali identificou o autor, a partir do estudo das sobreposições, das associações, das diferenças técnicas e de pátinas, como dos comportamentos de antropomorfos e de zoomorfos, ou da representação de artefactos, sete grandes períodos artísticos, que reflectem importantes alterações económicas, sociais, ideológico-culturais e cognitivas. Aqueles três primeiros períodos correspondem a sociedades de caçadores-recolectores do Paleolítico Superior (estilo arcaico), do Epipaleolítico (estilo subnaturalista) e do Epipaleolítico na transição para o Neolítico (estilo estilizado-estático). Foi, ainda, possível determinar duas fases, a antiga e a evolucionada, para o estilo sub-naturalista e duas outras fases, a inicial e a plena, para o estilo estilizado-estático, reflectindo, a evolução cognitiva das sociedades responsáveis por, certamente, complexas actividades de carácter sócio-religioso e de que as gravuras são os únicos testemunhos chegados até nós. Tais documentos são constituídos por imagens, gravadas principalmente através de picotagem e com grandes dimensões, de cervídeos, caprinos, de um auroque e de um equídeo, não se tendo detectado representações antropomórficas ou ideogramas. Os animais surgem isolados e, no período mais tardio, associados aos pares ou em bando, reconhecendo-se evolução onde se observa tendência tanto para a diminuição das dimensões, como para a sintetização morfológica. PALAVRAS-CHAVE Arte rupestre, estilo arcaico, estilo subnaturalista, estilo estilizado-estático.

NATURTEJO - GEOPARK

Rede Europeia de Geoparques A Rede Europeia de Geoparques (REG) foi criada em 2000 por quatro geoparques pioneiros, contando com o apoio da UNESCO a partir de 2001. A REG distribui-se actualmente por 17 países europeus, com 43 geoparques. Em Portugal, além do Geopark Naturtejo, existe desde 2009 o Geopark Arouca, existindo outros projectos em curso. Para a Rede Europeia de Geoparques, um Geoparque a combina a protecção e a promoção do património geológico com o desenvolvimento local sustentável, através de Conservação, Educação e (Geo)turismo. Nascida do espírito de união e da partilha de objectivos, a Naturtejo é a entidade que promove o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, que integrada os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. Da Raia à Beira Interior, passando pelo Pinhal Interior até ao Alto Alentejo, este é um território de elevado potencial turístico e com inúmeros factores de atracção. Por ser uma região vasta mas homogénea, o Geopark Naturtejo oferece uma grande variedade de produtos turísticos, tendo como mais-valia comum a natureza e as excelentes infra-estruturas. Tudo para satisfazer as necessidades e exigências de todo o tipo de visitantes. Gozando de uma excelente localização e acessos, o Geopark Naturtejo abre-lhe os horizontes e oferece-lhe mais de 4.600 Km 2 de terra para descobrir. Apure todos os seus sentidos e deixe-se surpreender. Veja o que esta região tem para lhe mostrar, ouça o que as gentes têm para contar, sinta as marcas que o tempo foi deixando, delicie-se com os aromas que se desprendem da paisagem e saboreie cada momento como se tivesse todo o tempo do mundo. Neste site encontra uma selecção do melhor que o Geopark Naturtejo tem para oferecer. Para além do que lhe damos a conhecer, há muito para descobrir. Deixe-se cativar por esta região e desvende toda a sua beleza. É natural que se surpreenda com tudo o que o espera. No Geopark Naturtejo vive-se de forma plena e quem vem de fora fica para sempre cá dentro. Dentro do coração deste povo, na memória desta terra que quem conhece, não esquece.