quinta-feira, julho 18, 2013

Arquitectura, espólio e rituais de dois monumentos megalíticos da Beira Interior: estudo comparado

Arquitectura, espólio e rituais de dois monumentos megalíticos da Beira Interior Artigo de JOÃO LUÍS CARDOSO, JOÃO CARLOS CANINAS, FRANCISCO HENRIQUES RESUMO Apresenta-se estudo comparado de dois monumentos megalíticos situados no Couto da Espanhola, na área do Tejo internacional. Tratam-se de estruturas distintas do ponto de vista arquitectónico e artefactual. Ambas evidenciam reutilizações, chegando num dos casos até à Idade do Bronze. As pesquisas realizadas pela Associação de Estudos do Alto Tejo, desde 1980, conduziram à identificação nesta região de um importante complexo megalítico, constituído por cerca de 80 sepulturas, menires, recintos e rochas gravadas com covinhas, que constituirá futuro objecto de estudo. http://www.igespar.pt/media/uploads/trabalhosdearqueologia/16/10.pdf

Metalurgia do Bronze Final no entre Douro e Tejo português: contextos de produção, uso e deposição

Metalurgia do Bronze Final Artigo de RAQUEL VILAÇA Instituto de Arqueologia. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal. E-mail: rvilaca@ci.uc.pt ACTAS DEL CONGRESO:ÁMBITOS TECNOLÓGICOS, ÁMBITOS DE PODER. LA TRANSICIÓN BRONCE FINAL-HIERRO EN LA PENÍNSULA IBÉRICA (Madrid, 18 Marzo de 2004) Dirección Científica: Alicia Perea. 1.Introdução Tendo em conta a temática deste Seminário, procurei reunir elementos resultantes dos meus próprios trabalhos, publicados e inéditos, bem como outras novidades portuguesas, mas tive igualmente em linha de conta informação mais antiga que merece ser recuperada e valorizada. O quadro cronológico estava, à partida definido. Nesse âmbito, vários assuntos podiam ser abordados e, cada qual, de diversas maneiras. A metalurgia era um tema incontornável. E, quando falamos do metal no Bronze Final, falamos essencialmente do bronze. Mas, para além dessa metalurgia, no espaço geográfico que escolhi, entre Douro e Tejo, perfeitamente aleatório, também encontramos registos de ouro e de ferro. Por razões óbvias, o seu número é muitíssimo reduzido. Ainda assim, não tanto quanto se poderia pensar. Em relação ao ouro, entre peças, conservadas e perdidas, ou meras notícias de achados, eu própria fiquei surpreendida com o número de registos reportáveis à região em análise. Quanto ao ferro, considero que um dos principais resultados da investigação dos últimos anos nas Beiras foi a possibilidade de comprovar, em termos estratigráficos, e com datas de Carbono 14, a presença de artefactos de ferro em contextos do Bronze Final. Estas três categorias articulam-se, directa ou indirectamente, com o que considero ser o aspecto mais emblemático da época e região: os sítios habitados ou povoados, que representam, com efeito, uma ruptura em termos de estratégia de povoamento. Não sendo possível falar em ermamento da região no período anterior (Bronze Antigo e Médio), sem dúvida que se verificou nos últimos séculos do II milénio a. C. uma reconversão no modo e na forma de intervenção e de percepção do homem no espaço. http://humanidades.cchs.csic.es/ih/paginas/arqueometalurgia/Descargas/sem04/s04_vil.pdf

Castro de Vila Nova de São Pedro (Azambuja)

Castro de Vila Nova de São Pedro - Azambuja) Classificado como monumento nacional desde 1971, este povoado do calcolítico estremenho, ou do final do neolítico, data 3500ac, denuncia o mais antigo testemunho da presença humana no Concelho de Azambuja. Dotado de excelente situação estratégica, que lhe garantia condições de defesa, domina o vale de Almoster, através do qual comunicava com o Tejo, principal via de comunicação para os habitantes do Castro. Apresenta um recinto principal e duas linhas defensivas, de onde foram recolhidos inúmeros achados arqueológicos que permitiram a reconstituição de aspectos da vida material e espiritual dos ocupantes desta fortificação. http://www.cm-azambuja.pt/conhecer-azambuja/conhecer-o-patrimonio/sitio-arqueologico.html

Exposição Permanente Arqueologia de Ródão Publicado em Jul 3, 2012

Museu de Arqueologia de Ródão O Tejo, os terraços fluviais que o marginam, as charnecas detríticas, tudo isto assente sobre um soco antigo em xistos e grauvaques, cortados por imponente crista quartzítica que forma as chamadas “Portas de Ródão” – eis aqui a singularidade que fez da região de Ródão um território de eleição, habitado desde a mais remota Pré-história. É, pois, uma história antiga, telúrica e consistente, que temos para oferecer. Uma história feita de cruzianas e troncos fósseis, bifaces e raspadores, machados polidos e vasos de cerâmica, gravuras rupestres e epígrafes, mós e telhas, balas de canhão e gravuras reminiscentes das Invasões Francesas…. Possa a evocação da memória da terra rodanense, que nesta sala fazemos, servir de ponto de partida para um mais profundo conhecimento das nossas paisagens e das nossas gentes – que aí estão à vossa espera. De Ródão guardamos a memória do diálogo com um passado que só encontra equivalente na majestade da paisagem que o encerra. Das casas do Salgueiral, às cristas que constituem a Serra; dos terraços e conheiras que o Tejo prodigamente distribuiu, ao rendilhado de oliveiras que mão humana pacientemente semeou; do sentir vivo de homens e animais, à conservação surda da sua imagem nos milhares de motivos artísticos que flanqueiam as margens do “grande rio”… tudo em Ródão nos faz esquecer as fronteiras entre passado e presente, Homem e Natureza, próximo e distante. http://tejo-rupestre.com/?page_id=156 Luís Raposo (arqueólogo)

Carta Arqueológica de Vila Velha de Ródão - uma lei tura actualizada dos dados da Pré-História Recente

Carta Arqueológica de Vila Velha de Ródão Artigo de Francisco Henriques, João Caninas, Mário Chambino Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT) 1ª Reunión de Estudíos sobre la Prehistoria Reciente en el Tajo Internacional Marcadores Gráficos y Constructores de Megalitos en el Tajo Internacional Santiago de Alcántara, Cáceres, 1, 2 y 3 de Marzo de 2007 Resumo O concelho de Vila Velha de Ródão dispõe de cinco documentos com as características de inventário arqueológico. Nesta comunicação faz-se uma apresentação preliminar dos resultados do mais recente inventário, cujo Relatório Final está em preparação. O primeiro data de 1910, é da responsabilidade de Francisco Tavares de Proença Júnior e integra um inventário de âmbito distrital, a Archeologia do Districto de Castello Branco. O segundo, de 1980, é da responsabilidade de Francisco Henriques e João Canina s (Contribuição para a Carta Arqueológica dos Concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa). O terceiro c ontributo, de 1986, é uma continuação do documento anterior, abrange a mesma área geográfica e é da respons abilidade dos mesmos autores. A quarta contribuição, de 1993, inédita, também da responsabi lidade de Francisco Henriques e João Caninas, funde os dois documentos anteriores num único, e foi elabora do para a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, aquando da elaboração do primeiro Plano Director Muni cipal (PDM). O trabalho de campo para a quinta contribuição, elaborada novamente a pedido da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão no âmbito da revisão do PDM, ocorreu entre 2004 e 2006. Contém 420 registos de sítios e monumentos com interesse arqueológico (acréscimo de 78% relativamente à contribuição de 1993). Identifica 120 arqueossítios atribuíveis à Pré-história Recente,cerca de 29% da totalidade dos registos deste inventário actualizado, distribuídos tipologicamente do seguinte modo: - 24 manchas de ocupação (20%); - 23 sítios com arte rupestre (19%); - 45 sepulturas megalíticas, antas, mamoas e tumuli(37%); - 26 achados isolados (21%) com destaque para os instrumentos de pedra polida; - 3 outros ou indeterminados (3%). As manchas de ocupação estão implantadas a curta distância do rio Tejo sobre plataformas detríticas e terraços com ocupação dispersa por vários hectares e frequentemente associadas aos maiores núcleos de arte rupestre do Tejo. Este modelo de ocupação tem equivalência na outra margem do Rio Tejo (concelho de Nisa) e a vários quilómetros a montante (concelho de Idanha-a-Nova). Dos sítios com arte rupestre destaca-se o complexo de Arte Rupestre do Tejo, sobejamente conhecido. Os outros sítios com gravuras rupestres, fora daquele contexto, correspondem quase exclusivamente a rochas gravadas com covinhas. As sepulturas (megalítica e não megalíticas) distribuem-se por todo o concelho, ocorrendo em terraços e plataformas detríticas, em relevos xisto-grauváquicos e até numa planície aluvial. Estão ausentes sobre cristas quartzíticas embora ocorram nos depósitos de vertente daquele tipo de relevos. A forte correlação espacial entre sepulturas, rochas gravadas e sítios de habitat (manchas de ocupação) emerge como um dado relevante para investigação. http://www.altotejo.org/UserFiles/File/Estudos_e_Publicacoes_arqueo/Carta_Arqueologicade_Rodao.pdf

ARTE RUPESTRE AFOGADA NO TEJO

ARTE RUPESTRE AFOGADA NO TEJO Artigo de Ângela Caires Uma mensagem de 40 quilómetros,escrita nas margens do Tejo por homens que viveram há 8.000 anos ficará em breve submersa pela águas de uma nova barragem hidroeléctrica. http://www.altotejo.org/acafa/docsn4/arte_rupestre_afogada_no_tejo.pdf

Duas Cabanas Circulares da Idade do Bronze do Monte de São Domingos (Malpica do Tejo, Castelo Branco)

Duas Cabanas Circulares da Idade do Bronze do Monte de São Domingos (Malpica do Tejo, Castelo Branco) Artigo de João Luís CARDOSO, João Carlos CANINAS e Francisco HENRIQUES A área de Malpica do Tejo, situada na parte sudeste do distrito de Castelo Branco, entre o rio Tejo, o rio Ponsul e a ribeira do Aravil, é conhecida, do ponto de vista arqueológico, principalmente pelos inúmeros achados de artefactos metálicos atribuíveis à Idade do Bronze. Estes achados foram integrados num recente estudo de conjunto sobre o BronzeFinal da Beira Interior (VILAÇA 1995). Por outro lado, esta área tem vindo a ser prospetada sistematicamente, desde 1988, pela Associação de Estudos do Alto Tejo. Estes trabalhos integram-se, desde 1993, no projecto de investigação, então submetido ao Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, “Ocupação Pré-Histórica do Alto Tejo Português” no âmbito do qual se executou a escavação arqueológica a que respeita este texto. Os resultados obtidos deram origem a um primeiro esboço de carta arqueológica já publicado (HENRIQUES, CANINAS & CHAMBINO 1995a). De entre as descobertas realizadas destacavam-se duas estruturas circulares evidenciadas à superfície por pequenas lajes de xisto dispostas de cutelo. Estas estruturas, identificadas por dois dos signatários (FH e JCC), foram então, provisoriamente, correlacionadas com o megalitismo. A sua localização apresenta-se na Fig. 1. http://www.altotejo.org/userfiles/file/estudos_e_publicacoes_arqueo/cabanas_da_idadedobronze.pdf

ROCHAS COM COVINHAS NA REGIÃO DO ALTO TEJO PORTUGUÊS

Rochas com covinhas na região do Alto Tejo Português Artigo de Francisco Henriques, João Carlos Caninas e Mário Ch ambino 2 Resumo: A Associação de Estudos do Alto Tejo / Núcleo Regional de Investigação Arqueológica(NRIA) identificou nos últimos anos, nos concelhos de Vila Velha de Ródão, Castelo Branco e Idanha-a-Nova, diversos conjuntos de rochas com covinhas. Neste texto, procura-se salientar a relevância destas gravações na região arqueológica considerada e a sua possível associação a espaços sagrados pré-históricos. Faz-se uma leitura da distribuição espacial destas rochas gravadas, e de outros vestígios da humanização antiga e moderna, e chama-se a atenção para a convergência espacial entre rochas com covinhas e templos modernos. Coloca-se a hipótese de esta convergência indiciar um uso milenar dos respectivos espaços como locais sagrados e, portanto, a continuidade do povoamento da Pré-História até à actualidade. Palavras-chave: rochas com covinhas, espaços sagrados, continuidade http://www.altotejo.org/UserFiles/File/Estudos_e_Publicacoes_arqueo/Rochas_com_covinhas_no_Alto_Tejo.pdf">

Oppidium de Aritium Vetus - Alvega (Abrantes)

Oppidium de Antium Vetus - Alvega Inclui várias referências a vestígios romanos na região de Abrantes. http://www.portugalromano.com/2011/11/aritium-vetus-alvega-abrantes/

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Geomorfologia e ocupação pré-histórica no baixo curso do rio Sor

Geomorfologia e ocupação pré-histórica no baixo curso do rio Sor: primeiras observações geoarqueológicas R E S U M O Apresenta-se aqui uma primeira abordagem para a compreensão das relações entre morfogénese quaternária e assentamento pré-histórico a nível regional e em contextos controlados principalmente por processos aluviais de idade plistocénica e holocénica. O estudo de caso analisado corresponde ao baixo curso do rio Sor, no trecho entre a barragem de Montargil e a confluência com o Raia, e apresenta um relevo relativamente suave, afeiçoado em sedimentos terciários e em
afloramentos isolados do Maciço Hespérico. A característica mais vincada da fisiografia regional é o sistema de terraços aluviais escalonados, que revestem as encostas do vale do Sor e que constituem pontos de assentamento preferencial para sítios pré-históricos, como as estações neolíticas de Bernardo 1 e Alminho 1, aqui examinadas. Apresentam-se os dados geoarqueológicos relativos a estes sítios e ao seu território, discutindo, a partir deles, as questões referentes à evolução quaternária da paisagem, às inter-relações entre relevo e sistema de assentamento pré-histórico e aos processos formativos dos sítios arqueológicos de baixa profundidade.

Contribuição para o estudo do Paleolítico Inferior no Vale do Forno - Alpiarça

Contribuição para o estudo do Paleolítico Inferior no Vale do Forno - Alpiarça, no seu contexto crono-estratigráfico.

Dissertação de Mestrado em Pré-história e Arqueologia, orientada pelo Professor João Pedro Cunha-Ribeiro e apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2002.

Povoado da idade do Bronze em Vila Franca

Escavações arqueológicas revelam testemunhos com três mil anos no vale de Santa Sofia



Vila Franca já tinha vida há três mil anos. Os arqueólogos encontraram vestígios da idade do Bronze e da passagem dos romanos por Santa Sofia. As escavações não travam a obra do parque urbano.




Há três mil anos o vale de Santa Sofia, em Vila Franca de Xira, era já habitado. Um povoado do período final da Idade do Bronze foi encontrado na encosta do vale, uma descoberta inesperada e rara na região do Vale do Tejo.

Artefactos de pedra, fragmentos de bronze, pedaços de cerâmica manual e um movente de um moinho manual foram algumas das peças descobertas que permitiram situar a ocupação do vale de Santa Sofia no período final da pré-história. As escavações arqueológicas puseram ainda a descoberto os alicerces das cabanas de madeira e pele do povoado.

Os trabalhos arqueológicos arrancaram em Junho na sequência da intervenção que está a ser feita para a reabilitação do vale e construção do parque urbano de Santa Sofia. João Pimenta, um dos arqueólogos contratados pela câmara municipal, diz que a descoberta do povoado com três mil anos é “extremamente importante para a história de Vila Franca”.

Segundo refere, o achado mostra que o vale de Santa Sofia tem uma longa diacronia de ocupação e permite um maior conhecimento da história da hoje cidade ribatejana. João Pimenta explica que a ocupação estava ligada à exploração agrícola do vale, uma zona com vista privilegiada para o Tejo, o que a tornava também segura.

Para além da movente do moinho que atesta a natureza rural da exploração, foram também encontrados potes de armazenagem de cereais.

Entre os objectos postos a descoberto pelas escavações arqueológicas estão alguns que indicam que os fenícios passaram por Vila Franca de Xira. João Pimenta refere que os artefactos encontrados mostram que os mercadores do século XVIII a.C. que vieram da zona onde hoje se situa o Líbano comercializaram com o povoado aqui existente.

Pedaços de uma ânfora de matriz fenícia foram encontrados entre os achados remetendo para a introdução do vinho na nossa cultura. Com os fenícios veio também a escrita, a roda de oleiro, a técnica de redução do ferro, o azeite e a arquitectura, que nos veio a caracterizar durante milhares de anos.

O povoado descoberto no vale de Santa Sofia é um dos poucos achados arqueológicos da Idade do Bronze na região. Até agora apenas na Tapada da Ajuda, na foz do Tejo, e em Alpiarça foram encontradas estruturas deste período.


Romanos também

passaram pelo vale

A comprovar que a exploração agrícola do vale de Santa Sofia tem sido uma constante ao longo da história foram encontrados ainda vestígios romanos e da época medieval na área. O mais importante foi um habitat romano de características rurais.

Nesse espaço, para além dos alicerces dos edifícios, foram também descobertos fragmentos de tijoleira e de telhados, bem como fragmentos de cerâmica e uma chave romana. Por não ter tanta importância monumental, o que resta do habitat foi protegido e tapado e cartografado como área ecológica.

João Pimenta assegura que a área onde se encontra não será danificada pelos trabalhos de arranjo do vale e explica que o mais importante é a informação que se obteve com esta descoberta.

Entre os objectos encontrados inclui-se ainda uma inscrição em calcário do século XVI, que o arqueólogo admite poder fazer parte da desaparecida ermida de Santa Sofia. Segundo refere, talvez depois de conseguirem decifrar a inscrição cheguem a uma conclusão.

Os vestígios encontrados foram recolhidos para serem analisados, tratados e registados. João Pimenta adianta ainda que pode vir a ser realizada uma exposição com o material descoberto.

Os trabalhos arqueológicos devem prolongar-se por mais sete semanas. No entanto, segundo Henrique Mendes, o outro arqueólogo responsável, o tempo pode variar em função das condições atmosféricas e do material que for entretanto encontrado.

Sara Cardoso

Arqueologia - Chamusca

Arqueologia
Alpiarça, pela sua situação geográfica, na margem esquerda do Tejo, apresenta vários níveis de ocupação humana desde o Paleolítico Inferior até à época Romana. Na zona do Vale do Forno foram encontrados depósitos e indústrias líticas datáveis do Paleolítico Inferior. Esta Zona já é conhecida desde os anos 40, mas só nos anos 80 é que foram feitos trabalhos arqueológicos na Zona de Milharós, onde foram encontrados depósitos e industrias líticas datáveis do Paleolítico inferior. Também foram descobertos vestígios de flora que talvez sejam anteriores à glaciação de wurm.

Além do Vale do Forno à também a destacar as estações arqueológicas do Barreiro do Tojal, Vale da Caqueira, Quinta do Outeiro, Vale da Atela, Barreira da Gouxa e Vale dos Extremos. O Povoado do Alto do Castelo locaaliza-se entre as necrópoles do Tanchoal e do Meijão, é conhecida, desde o inicio do século passado, por Mende Corrêa e na decada de 80 foi estudada pelo Instituto Arqueológico Alemão. Possui uma cronologia anterior à época romana, por ter sido ocupada durante a Idade do Bronze Final ou Ferro. Também foi alvo da ocupação Romana visto que se encontraram materiais do periodo Romano, moedas e fragmentos de cerâmica.

O Cabeço da Bruxinha foi ocupado provavelmente na Idade do Bronze Final ou ferro, mas também sofre ocupação Romana, foram encontrados materiais de cerâmica e cerâmica de construção. O Cabeço da Bruxa localiza-se na Quinta da Gouxa a cerca de 600 metros a oete da Estrada Nacional 118 de Alpiarça a Almeirim. Esta estação arqueológica é conhecida desde a década de 30 e foi alvo de escavações arqueológicas feitas em 1979 também pelo Instituto Arqueológico Alemão. Os materiais aí encontrados têm várias cronologias Pré-História, Idade do Bronze, Época Romana e outras.

A Quinta da Gouxa é uma estação arqueológica ocupada desde a Pré-História até à época Romana. Segundo alguns autores, em Alpiarça passava uma das vias Romanas em direcção a Mérida, com prova os vários marcos miliários encontrados dedicados ao Imperador Trajano.

Património Arqueológico da Golegã

Escrito por Webmaster
29-Jan-2008


O Vereador Carlos Simões solicitou ao executivo na última reunião de Câmara de 23-01-2007, informações relativas ao património arqueológico do Concelho e acesso à documentação existente na Câmara sobre o mesmo, nomeadamente o associado à Via Romana XVI, que passaria por Entroncamento, Golegã (na Qta. dos Álamos fica a Villa de S. Miguel), Azinhaga e Pombalinho.

A actual povoação de Pombalinho assenta sobre os vestígios de uma eventual villa romana, tendo sido recolhidos vestígios de ocupação dessa cronologia em diversas ocasiões.

Considera o Vereador que "seria benéfico para o Concelho que se revitalizasse o interesse da população, sobretudo mais jovem, pelo património arqueológico da Golegã e Azinhaga, pelas origens das gentes desta terra e pela sua história mais remota".

No caso da Villa de São Miguel, na Golegã, os dados constantes no IPA, referem-na como sendo do período Romano. A estação arqueológica foi descoberta em 1945 na sequência da abertura de covas para o plantio de um pomar, tendo sido encontrado a 70cm de profundidade um mosaico a preto e branco, decorado com hastes e folhas enroladas em espiral. O sítio ocupa cerca de 1 hectare, não sendo visíveis quaisquer estruturas à superfície e nunca foi alvo de qualquer intervenção arqueológica, contudo à superfície encontram-se vários materiais romanos, de entre os quais se destacam cerâmicas de construção e comuns, como fragmentos de imbrex, de tegulae, de ânforas, terra sigillata e moedas.

Referiu ainda que trouxe este assunto à apreciação da Câmara por "ter tomado muito recentemente conhecimento da existência de trabalhos de prospecção relativamente recentes e publicados em 2005, e que apontam para a existência de vestígios de um povoado calcolítico na zona do Riba-Rio, em Azinhaga". O autor, Júlio Manuel Pereira, fez nessa altura a apresentação preliminar do "sítio arqueológico de Riba-Rio", onde recolheu um interessante conjunto de materiais de superfície, em que se incluem alguns fragmentos de cerâmica campaniforme. O sítio é interpretado como um povoado da Idade do Cobre.

Carlos Simões facultou ao restante executivo uma cópia desta publicação, datada de Julho de 2005 e da responsabilidade do Centro de Arqueologia de Almada, onde a apresentação foi feita.

O arqueossítio aí referido situa-se na margem direita do Rio Almonda, a escassa distância deste, à entrada Norte da localidade da Azinhaga (concelho da Golegã), junto à Quinta de S. João da Ventosa, num terreno com um declive muito suave para o rio, a uma altitude de cerca de 18 metros, ocupando uma área estimada de pouco mais de dois hectares. Aí, na camada arenosa clara sobrejacente a uma outra mais argilosa que recobre um terraço de baixa altitude, as lavras e sementeiras de milho puseram a descoberto abundante material lítico e cerâmico, bem como um fragmento de cobre inclassificável.

Segundo o autor, a caracterização de Riba-Rio como um povoado resulta evidente, face à extensa mancha de dispersão dos materiais e à natureza dos achados, nomeadamente a presença de cerâmica de carácter doméstico, de elementos de moagem e de pesos de pedra com entalhes, associados a actividades de tecelagem, sem prejuízo de, em certos casos, poderem ser conotados com actividades de pesca, o que aqui seria possível devido à proximidade de dois rios (Almonda e Tejo).

O Vereador propôs "que se entrasse em contacto com o autor deste trabalho, para que se possam obter mais pormenores sobre estes achados, referindo mais uma vez o grande interesse que teria para o Munícipio a promoção e divulgação deste património pela Câmara Municipal, bem como o aprofundamento dos estudos sobre o mesmo".

Outros sítios com interesse arqueológico, documentados no IPA e situados no Concelho da Golegã são:

Designação:Martim Ladrão
Tipo de Sítio:Estação de Ar Livre
Periodo/Notas:Paleolítico
CNS:4774
Topónimo:Mato de Miranda
Div. Administrativa:Santarém/Golegã/Azinhaga
Classificação:-
Descrição:Identificada juntamente com o Chamiço (Zbyzweski et al, 1970a), onde terão recolhido peças Acheulenses, a estação de Martim Ladrão desenvolve-se nos dois lados da estrada que liga Mato de Miranda a S. Vicente do Paul. A prospecção realizada no entanto, incidiu particularmente sobre uma grande saibreira situada no lado Sul. Aqui foram identificados inequivocamente materiais pertencentes ao Paleolítico Antigo. Algumas das peças apresentam, patina eólica e indícios de rolamento.

Designação:Monte Pedregoso
Tipo de Sítio:Povoado
Periodo/Notas:Calcolítico
CNS:17748
Topónimo:Monte Pedregoso
Div. Administrativa:Santarém/Golegã/Golegã
Classificação:-
Descrição:O Monte Pedregoso é uma ampla zona de aluvião, que encerra uma estação arqueológica campaniforme.

Designação:Portas de Água
Tipo de Sítio:Villa
Periodo/Notas:Romano
CNS:24219
Topónimo:Portas de Água
Div. Administrativa:Santarém/Golegã/Azinhaga
Classificação:-
Descrição:Área lavrada com excelente visíbilidade geral. Cerâmica dispersa à superfície, aparentemente atribuível ao período romano (vários exemplares de tegula e um fragmento de asa de ânfora Dressel14). Há uma maior concentração de espólio numa faixa de aproximadamente 3000m2.

Sítios arqueológicos descobertos...

Sítios arqueológicos descobertos no âmbito da prospecção arqueológica dos lotes 2 e 3B da construção do gasoduto

❚ JOÃO MURALHA ❚ JOÃO MAURÍCIO ❚


RESUMO Os autores, neste artigo, tentam sistematizar dois anos de trabalhos
arqueológicos desenvolvidos ao longo do traçado do gasoduto entre Leiria e Braga e Leiria e Chamusca. Enumeram as áreas com interesse arqueológico detectadas e o tipo de trabalho efectuado. Para isso fazem referência ao tipo de procedimentos adoptados e à planificação das diversas fases de trabalho quer no gabinete, quer no campo.


0. Introdução
Em Junho de 1994, dá-se início aos trabalhos de prospecção arqueológica nos dois
grandes lotes de construção do gasoduto nacional; o lote 1 entre Leiria e Setúbal e o lote 2
entre Leiria e Braga. Mais tarde, começam os trabalhos para os lotes 3 A 3 B, sendo o lote entre
Leiria e Campo Maior (3 B), aquele que nos interessa aqui referir. Este trabalho refere-se apenas
aos lotes 2 e parcialmente ao 3 B, porque um dos signatários deste trabalho apenas acompanhou
este último troço até ao município da Chamusca, num total de cerca de 300 km entre
Leiria/Braga e Leiria/Chamusca.
Ao longo de dois anos (Junho de 1994 e Junho de 1996), numa faixa de entre 12 a 24
metros, detectaram-se um conjunto assinalável de sítios arqueológicos. Embora a maior
parte sejam achados avulsos, a prática, há época ainda pouco comum1, pelo menos no contexto
das grandes obras públicas a nível nacional, teve aspectos positivos pois o objectivo principal
de todo este projecto prendia-se com a minimização dos prováveis impactes negativos
que o processo de obra poderia ter sobre o património arqueológico, foi inteiramente atingido.
Aliás, esse objectivo teria sido igualmente atingido, se o número de sítios encontrados
fosse bastante menor, ou mesmo inexistente.
A metodologia de obra que verdadeiramente interessava à equipa de arqueologia, prendia-
se com uma decapagem superficial de cerca de 24 m de largura máxima até à profundidade
de 0,5 m, com a escavação em profundidade de uma faixa de 2,5 m de largura. Esta situação não só constituía uma das maiores escavações contínuas do país como permitia uma observação arqueológica ao longo de todo o traçado da obra.
O quadro seguinte tenta apenas sintetizar/enumerar as áreas com interesse arqueológico detectadas no conjunto desses dois anos. Refere-se o nome do sítio, a sua localização(apenas em ordem ao concelho), o tipo de estação (concordante com o thesaurus proposto pelo IPA), a cronologia e o tipo de acção proposta e efectuada pela equipa de arqueologia, que pode ir da escavação e sondagem, até ao registo fotográfico ou mesmo a simples delimitação e sinalização dos locais com interesse patrimonial.

Jardim-museu nas Portas do Sol (Santarém)

Jardim-museu em Santarém (da Idade do Bronze à Romanização)





As ruínas romanas e os vestígios da Idade do Ferro, junto ao Jardim das Portas do Sol, em Santarém, vão ser musealizadas, no âmbito do projecto de remodelação do Jardim.

A Alcáçova de Santarém tem-se revelado "riquíssima" para os arqueólogos, tendo as escavações actualmente em curso, no decorrer das obras de requalificação do Jardim das Portas do Sol, confirmado a presença de vestígios desde a Idade do Bronze até à época Contemporânea.

Laurent Caron, do Departamento de Território, Arqueologia e Património, do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), responsável pela escavação, disse à agência Lusa que os trabalhos iniciados em Setembro trouxeram à superfície uma cisterna romana "inteira", do século I, e um tanque que pode estar associado a esta estrutura, na zona exterior ao jardim.

Para surpresa do grupo de arqueólogos do IPT, no interior do jardim foram encontrados enterramentos (13 corpos) do século XIII e alguns mais recentes, que podem estar associados à Igreja de Santa Maria de Alcáçova ou a uma Ermida de S. Miguel, o que não havia ainda sucedido nas escavações anteriores.

"Também na primeira vala apanhámos uma parede e um piso de cerâmica e uma fossa com material islâmico. Se se confirmar, seria a primeira vez que teríamos umas estruturas habitacionais desta época na Alcáçova", disse Laurent Caron.

Nas escavações realizadas nas valas abertas no interior do jardim, os arqueólogos encontraram ainda, entre muitos outros vestígios, material, da Idade do Ferro, associado à tecelagem e à metalurgia (atribuída à função militar), num "sinal da importância que Santarém teria, ao ter fábricas de material militar no próprio sítio", disse Laurent Caron.

"Encontrámos níveis da Idade do Ferro cortados na época medieval para fazer um grande aterro. Em quase toda a vala encontrámos esse aterro medieval, o que indica uma fase de planeamento do terreno nessa época", afirmou.

As obras em curso no Jardim das Portas do Sol, a concluir em Junho, prevêem a musealização dos vestígios romanos e da Idade do Ferro encontrados em escavações anteriores, agora alargadas para permitir a construção da estrutura.

Esta fase de trabalhos permitiu não só descobrir a cisterna romana e meia dúzia de silos islâmicos que "cortaram" muros e paredes da época romana, mas também vários níveis de uma rua romana, já detectada na escavação anterior.

"Tratar-se-ia de uma zona habitada, constantemente remodelada desde a Idade do Ferro", época que se identifica num nível estratigráfico inferior e pela técnica de construção das paredes, adiantou.

No interior do jardim, na cave do restaurante, vai funcionar o Centro de Interpretação Urbiscalabis, dotado de uma mesa interactiva com a descrição dos objectos, da época de ocupação e da evolução urbana, e onde será possível recolher áudio-guias para partir à descoberta dos monumentos da cidade, disse à Lusa Pedro Pecurto, responsável pela obra.



Obras vão estar
concluídas no Verão

“As obras nas Portas do Sol deverão ficar concluídas até ao Verão e incluem a instalação de um miradouro virtual e equipamentos multimédia interactivos num centro de interpretação Urbiscálabis, que permitirá aos visitantes compreenderem os vestígios arqueológicos e a evolução histórica do local, da Idade do Bronze, Idade do Ferro, aos períodos de ocupação romana e islâmica”, disse o vereador das obras da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves. O facto da empresa responsável pela obra no Jardim das Portas do Sol, a Lena Construções ter feito um protocolo com o IPT para o acompanhamento arqueológico, vai permitir que, ao contrário do mero relatório que habitualmente é feito nestas situações, muitos dos achados possam ser alvo de trabalhos de investigação, adiantou Laurent Caron.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Gruta da Nascente do Almonda


Natureza | Grutas



A gruta do Almonda localiza-se na paisagem natural da Serra d´Aire. É constituída por uma rede de galerias subterrâneas, umas fósseis e outras ainda em actividade, que se prolongam por uma extensão de cerca de 8 Km, com vestígios de ocupações sucessivas desde o Paleolítico à época romana. A gruta do Almonda é um santuário arqueológico, dada a riqueza de artefactos nela encontrados de toda a Pré-História. Os vestígios arqueológicos foram encontrados em dois locais diferentes da gruta: na entrada junto da nascente, na freguesia da Zibreira, foram descobertos materiais cuja cronologia se estende do Paleolítico Médio e Superior à época romana; na entrada da freguesia de Pedrógão, foi detectada uma jazida do Paleolítico Inferior, com abundantes restos faunísticos fossilizados, constituídos essencialmente por dentes. Os objectos encontrados na escavação da gruta estão no Museu Nacional de Arqueologia e na sede do grupo de espeleologia e arqueologia de Torres Novas. (Imóvel de Interesse Público)

”Grutas do Almonda são caso único em Portugal”

Grutas do Almonda
Só quando se fala em achados de fósseis humanos, como aconteceu o mês passado, as pessoas despertam para o que se passa nas Grutas do Almonda. Desde 1988 que equipas voluntárias e profissionais se dedicam durante dois meses por ano, a ”escavar” as grutas de Torres Novas, na procura de sinais que ajudem a melhor conhecer a história. Este ano, a campanha arqueológica na Gruta da Oliveira resultou no achado de fósseis humanos. Mais tempo houvesse e o resultado seria melhor, já que, no entender de João Zilhão, responsável pelos trabalhos, muito há ainda por descobrir nas grutas da nascente do Almonda.
Desde o final da década de 80 (tirando dois anos de interregno devido a outros projectos e falta de financiamento) que se sucedem as campanhas arqueológicas no sistema de Grutas do Almonda, considerado pelo Ministério da Cultura, ”imóvel de interesse público”. O primeiro passo neste trabalho foi dado pela Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que descobriu os primeiros utensílios em pedra, que desencadearam todo o trabalho que se seguiu. Isto, em 1987. Desde então, o trabalho tem continuado e o resultado de tantos anos de exploração, materializado em achados, poderia ser muito maior, não fosse a falta de financiamento que condiciona a evolução da investigação.

A ARQUEOLOGIA DA GRUTA DO ALMONDA (TORRES NOVAS).

Actas das IV Jornadas Arqueológicas (Lisboa 1990), Associação dos Arqueólogos
Portugueses, Lisboa 1991.


RESULTADOS DAS ESCAVAÇÓES DE 1988-89.
João Zilhão
João Maurício
Pedro Souto
A Gruta do Almonda é uma estação arqueológica conhecida desde há cerca de 50 anos, data em que foi posta a descoberto a entrada pela qual se faz o acesso ao seu interior. Trata-se de uma surgência fóssil do Rio Almonda (embora em Invernos excepcionalmente pluviosos tenha já funcionado igualmente como saída de águas), cuja nascente actual se encontra cerca de cinco metros mais abaixo e é represada pela Fábrica de Papel da Renova, a cuja laboração fornece a água necessária. Pela referida entrada acede-se a uma extensa rede de galerias subterrâneas,
já reconhecidas numa extensão de cerca de 5 km (fig. I), mas era somente nas primeiras dezenas de metros que, até a realização das campanhas de escavação realizadas em 1988 e 1989, se conhecia a existência de vestígios arqueológicos (Paço et a/. 1947; Guilaine e Ferreira 1970).
Os trabalhos realizados nos Últimos dois anos tiveram a sua origem numa descoberta
realizada por elementos da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia: o achado nesta porção inicial da galeria de entrada de algumas peças solutrenses cujo contexto se tornava imprescindível estabelecer (Maurício 1988; Zilhão 1988). A realização dos trabalhos veio porém dar igualmente origem a aquisição de novos dados referentes as ocupações já documentadas pelas escavações de finais dos anos 30 (Neolítico antigo, Idade do Bronze e Idade do Ferro), e a descoberta de ocupações do Paleolítico Inferior e Médio em zonas da gruta cuja importância arqueológica era até então desconhecida. São estes resultados que ora se apresentam de forma resumida e preliminar.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Fêmeas do Homo erectus tinham bebés com o cérebro grande

Fósseis descobertos na Etiópia




Fósseis descobertos na Etiópia


Fêmeas do Homo erectus tinham bebés com o cérebro grande
14.11.2008 - 21h42 Nicolau Ferreira


Um novo fóssil de um Homo erectus fêmea, um dos primeiros antepassados do Homem, mostra que a abertura pélvica, por onde os recém-nascidos saem, era muito maior do que se pensava. A descoberta prova que os recém-nascidos desta espécie tinham proporcionalmente uma cabeça maior, uma característica que está de acordo com o crescimento dos bebés de hoje.

O estudo foi publicado hoje na revista científica “Science”. Os autores encontraram fósseis dos ossos da bacia de um Homo erectus fêmea que viveu entre os 1,4 e 0,9 milhões de anos na zona de Gona, no Norte da Etiópia. Na altura, a região apresentava um clima semi-árido, com arbustos.

O Homo erectus foi o primeiro hominídeo a sair de África e a conquistar outros continentes. Sempre se pensou que a capacidade de andar e correr fosse uma forte condicionante evolutiva.

Um dos fósseis mais importantes que estabeleceu o modelo anatómico desta espécie foi de um indivíduo jovem, “Turkana Boy”, encontrado na zona do Quénia, em 1984. Apesar de ser um macho, devido ao esqueleto esguio e comprido extrapolou-se que a bacia das fêmeas desta espécie seria também estreita.

A partir daqui calculou-se que os recém-nascidos tivessem um cérebro pequeno, com um volume máximo de 230 mililitros (a forma como se mede o tamanho do cérebro), que depois do nascimento se desenvolveria rapidamente, um modelo mais aproximado ao dos primatas do que ao dos humanos.

Mas a nova descoberta obrigou o modelo a ser alterado. “Proporcionalmente, a bacia é maior do que a bacia dos humanos modernos”, disse Scott Simpson, citado pela BBC News. O paleontólogo é o primeiro autor do artigo, e trabalha na “Case Western Reserve University”, em Cleveland, no Ohio, Estados Unidos da América.

De acordo com as medições dos novos fósseis, um recém-nascido poderia nascer com um cérebro com o volume de 315 mililitros. Um aumento de 30 por cento relativo às anteriores estimativas. A partir do nascimento, o desenvolvimento cerebral do H. erectus seria um intermédio entre os chimpanzés e a espécie humana.

Os ossos pélvicos largos da fêmea mostram também que afinal havia uma diferença morfológica a nível dos sexos muito parecida com a existente hoje. O que evidencia que a evolução pressionou este aspecto - uma abertura pélvica grande para deixar passar um bebé com um cérebro maior.

De resto, ao contrário do modelo que prevê que em climas quentes como os da África, os seres humanos têm um torso mais estreito e sejam altos, e em zonas mais temperadas ou frias, têm um tronco mais largo e sejam baixos, esta fêmea era baixa para os padrões do H. erectus (media entre 1,20 e 1,46 metros) e era larga.

Os novos dados alteram a concepção que se tinha desta espécie, que foi descoberta pela primeira vez há cem anos, e mostram que há mais variáveis a ter em conta.



http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1350050